Tensão no Estreito de Ormuz: EUA abatem drone iraniano e repelem petroleiro
Dois incidentes separados ocorridos na terça-feira, 3 de dezembro, elevaram significativamente o alerta no estratégico Estreito de Ormuz, localizado na costa do Irã. Esta região tem sido palco de uma crescente escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã, com eventos que testam diretamente a presença militar norte-americana na área.
Incidentes que desafiam a presença americana
Primeiramente, um drone militar iraniano foi abatido pelas forças dos Estados Unidos após se aproximar perigosamente do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln. Horas depois, em um segundo episódio, barcos do Irã interceptaram um petroleiro dos EUA e tentaram apreendê-lo, mas foram novamente repelidos pelas forças americanas.
Segundo análise do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um think-tank norte-americano especializado em questões militares, ambas as ações tiveram como objetivo principal testar a reação do Exército dos Estados Unidos. O instituto alertou que esses incidentes podem marcar o início de uma escalada marítima por parte do Irã, que busca dissuadir um possível ataque dos EUA através de demonstrações de sua capacidade de desafiar a presença naval norte-americana na costa iraniana.
Contexto militar e político
De acordo com o jornal The New York Times, ao menos dez navios de guerra estão posicionados próximos ao Irã após um envio ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Trump tem realizado uma escalada de tensões com o objetivo claro de pressionar o regime do aiatolá Ali Khamenei a aceitar um acordo para limitar seu programa nuclear.
Entre os navios enviados por Trump estão o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque, que inclui destróieres como o USS Spruance, USS Michael Murphy, USS Frank E. Petersen Jr., USS Delbert D Black, USS Mitscher e USS McFaul, além de navios de combate e reabastecimento.
Detalhes do abate do drone
O Exército dos Estados Unidos confirmou que um caça F-35C decolou do USS Abraham Lincoln e abateu o drone iraniano, identificado como modelo Shahed-139, em legítima defesa para proteger o porta-aviões e sua tripulação. O capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, enfatizou essa ação como necessária para a segurança das forças americanas.
Horas após o incidente, agências de notícias iranianas afirmaram que um drone havia concluído uma missão de vigilância em águas internacionais, sem mencionar diretamente o abate.
Negociações nucleares e impasse
Apesar dos incidentes de terça-feira, uma rodada de negociações nucleares envolvendo os Estados Unidos e o Irã ainda está agendada para ocorrer na sexta-feira, 6 de dezembro, no Omã. As tratativas devem contar com a presença de representantes de outros países da região, em um esforço para resolver o impasse.
O Teerã defende seu direito de enriquecer urânio e insiste que seu programa nuclear é pacífico, enquanto os EUA e Israel expressam ceticismo em relação a essas afirmações. Trump tem utilizado uma recente onda de protestos contra o regime Khamenei para intensificar a pressão e levar o Irã à mesa de negociações.
Vale ressaltar que os EUA e o Irã já tiveram um acordo de não proliferação de armas nucleares, assinado durante o governo do ex-presidente norte-americano Barack Obama. No entanto, Trump se retirou desse acordo em 2018, em sua primeira gestão na Casa Branca, acusando o governo iraniano de financiar grupos terroristas.
Esses eventos recentes destacam a volatilidade da situação no Estreito de Ormuz e a complexidade das relações entre as duas nações, com implicações significativas para a segurança regional e global.