Novo encontro Ucrânia-Rússia-EUA em Abu Dhabi tenta avançar negociações de paz
Encontro Ucrânia-Rússia-EUA em Abu Dhabi busca paz

Novo encontro diplomático em Abu Dhabi busca avançar nas negociações de paz entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos

Nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos se reúnem novamente em Abu Dhabi para uma nova rodada de negociações de paz. O encontro ocorre em um contexto de expectativas moderadas, após conversas bilaterais iniciadas na semana passada, mas com obstáculos significativos que persistem há quase quatro anos de conflito.

Expectativas baixas e impasses territoriais

Embora os diálogos sejam vistos como um passo positivo, as expectativas de avanço concreto permanecem baixas. O principal obstáculo continua sendo o destino do território do leste da Ucrânia, uma região rica em recursos naturais e estrategicamente importante. Moscou exige que Kiev retire suas forças de grande parte da região do Donbas e busca reconhecimento internacional para as terras ocupadas desde a invasão de 2022.

Por outro lado, a Ucrânia insiste em congelar o conflito nas atuais linhas de frente e rejeita qualquer retirada unilateral de tropas. A maioria dos ucranianos rejeita um acordo que conceda território a Moscou em troca de paz, segundo pesquisas de opinião, refletindo a resistência popular a concessões territoriais.

Posicionamentos firmes e avanços militares

O Kremlin deixou claro que prosseguirá com a ofensiva até que a Ucrânia aceite suas condições. "Enquanto o regime de Kiev não tomar a decisão adequada, a operação militar especial continuará", declarou Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa. Enquanto isso, dados de think tanks americanos indicam que a Rússia acelerou seus avanços territoriais em janeiro de 2026, capturando o dobro de território em comparação com dezembro de 2025.

Se mantido o ritmo atual, estima-se que o Exército russo levaria cerca de 18 meses para conquistar toda a região, embora áreas urbanas fortemente protegidas permaneçam sob controle ucraniano. A Rússia também reivindica as regiões de Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, controlando faixas territoriais em pelo menos três outras regiões do leste ucraniano.

Delegações e pressões internacionais

A delegação ucraniana é liderada por Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança, que destacou nas redes sociais o objetivo de alcançar "uma paz justa e duradoura". A Rússia enviou Igor Kostiukov, diretor de inteligência militar e alvo de sanções ocidentais, enquanto os Estados Unidos despacharam Steve Witkoff e Jared Kushner como enviados especiais do presidente Donald Trump.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem aumentado os apelos por mais armas e pressão econômica sobre o Kremlin, enquanto a população sofre com cortes de energia e aquecimento devido aos bombardeios russos. Centenas de milhares de ucranianos enfrentam dificuldades diárias em Kiev, com danos significativos à infraestrutura da capital.

Ceticismo e perspectivas futuras

Após uma pausa nos ataques a Kiev durante a primeira rodada de negociações em janeiro, a Rússia retomou sua ofensiva com uma salva recorde de mísseis e drones na terça-feira. Este movimento alimentou o ceticismo entre os cidadãos ucranianos, como expressou Petro, um morador de Kiev: "Acho que é tudo um espetáculo para o público. Devemos nos preparar para o pior e esperar o melhor".

O conflito, que completará quatro anos no fim deste mês, permanece como o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com impasses profundos que desafiam qualquer solução rápida. As negociações em Abu Dhabi representam mais uma tentativa de encerrar a guerra, mas as divergências fundamentais sobre território e segurança continuam a dificultar um acordo duradouro.