EUA abatem drone iraniano e petroleiro é perseguido no Golfo antes de reunião crucial
Drone iraniano abatido e petroleiro perseguido no Golfo antes de reunião

A apenas três dias de negociações diplomáticas cruciais que visam evitar uma nova guerra no Oriente Médio, a tensão na região escalou significativamente com dois incidentes militares envolvendo os Estados Unidos e o Irã. As informações foram inicialmente relatadas pela agência Reuters e confirmadas posteriormente por fontes oficiais.

Abate de drone iraniano por caça americano

Um drone de vigilância iraniano do modelo Shahed-139, uma versão mais avançada e não armada do avião-robô comum, foi abatido por um caça F-35C americano. O incidente ocorreu quando o drone se aproximava do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que opera no norte do mar da Arábia, próximo a Omã e a aproximadamente 800 quilômetros do território iraniano.

O F-35C, que é a versão naval do caça de quinta geração, estava em patrulha a partir do porta-aviões. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou o relato em entrevista à Fox News, destacando a ação defensiva das forças americanas.

Perseguição a petroleiro americano no estreito de Hormuz

Em um segundo incidente ocorrido na mesma terça-feira, dia 3, seis lanchas armadas com metralhadoras de grosso calibre, pertencentes à Guarda Revolucionária iraniana, perseguiram e tentaram abordar um petroleiro americano. O navio, identificado como M/T Stena Imperative, é de propriedade dinamarquesa mas navega sob bandeira dos Estados Unidos.

O petroleiro estava no vital estreito de Hormuz, uma rota marítima responsável por cerca de 20% da produção global de petróleo e gás liquefeito, cuja margem norte é totalmente dominada pelo Irã. De acordo com as agências de segurança marítima UKTMO e Vanguard, o navio deixava os Emirados Árabes Unidos rumo à base naval americana no Bahrein quando as lanchas se aproximaram.

As embarcações iranianas tentaram estabelecer contato por rádio, mas o petroleiro acelerou a velocidade, encerrando a perseguição. A Vanguard afirmou que o M/T Stena Imperative navegava no corredor de águas internacionais de Hormuz, sem adentrar os domínios marítimos do Irã. Após pedir auxílio, o petroleiro foi escoltado por um navio de guerra dos Estados Unidos.

Impacto nas negociações diplomáticas

Esses incidentes elevam substancialmente o nível de tensão no Golfo Pérsico, que havia apresentado uma ligeira redução após a abertura de canais diplomáticos entre Estados Unidos e Irã. Na sexta-feira, dia 6, está previsto o primeiro encontro direto entre delegações americana e iraniana em uma década, com reunião marcada para ocorrer em Istambul.

A delegação americana será liderada pelo enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, que nesta terça-feira discutia a crise com o Irã em Israel, junto ao primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e à cúpula militar e de inteligência do país. Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi estará à frente das negociações.

No entanto, mesmo este encontro já enfrenta incertezas. Segundo relatos da imprensa árabe e americana, os iranianos desejam mudar o local da reunião para Omã, onde grupos dos dois países negociaram indiretamente no ano passado, e defendem vetar a presença de representantes de outras nações, como Turquia e monarquias do Golfo.

Contexto histórico da crise

A crise atual ganhou corpo a partir dos grandes protestos contra o regime islâmico no Irã, que eclodiram na virada do ano. A repressão violenta, que segundo ativistas resultou em mais de 5.000 mortes, foi condenada por Donald Trump, que prometeu auxiliar os manifestantes.

Posteriormente, o governo americano enviou uma grande armada para o Oriente Médio, incluindo o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln, diversos navios de guerra, submarinos, aviões de ataque e de apoio. Com esses ativos militares posicionados, as ameaças se intensificaram, deslocando o foco das demandas dos protestos para o disputado programa nuclear iraniano.

Em junho, ao apoiar a guerra de 12 dias de Israel contra o Irã, Trump ordenou o bombardeio de instalações consideradas importantes para a eventual fabricação de armas atômicas. A situação se acalmou temporariamente em uma trégua frágil, mas não houve avanços significativos para retomar negociações que impeçam Teerã de desenvolver capacidades nucleares.

Entre 2015 e 2018, um acordo apoiado pelos Estados Unidos e outras potências internacionais previa o abandono das pretensões nucleares iranianas em troca do fim de sanções econômicas. Trump retirou-se desse arranjo, acusando-o de ser leniente com os iranianos, e mesmo sob a administração de Joe Biden não foi possível alcançar um novo acordo.

A crise no Oriente Médio, agravada pelo ataque do Hamas a Israel em 2023 e pelas recentes manifestações no Irã, recolocou na mesa a vontade de Trump de derrubar o regime teocrático, intensificando as movimentações militares e diplomáticas na região.