Ataques israelenses matam 21 palestinos em Gaza e travessia humanitária por Rafah é suspensa
Ataques em Gaza matam 21, incluindo crianças; travessia suspensa

Ataques israelenses deixam 21 mortos em Gaza e travessia humanitária é interrompida

Bombardeios de tanques e ataques aéreos israelenses atingiram a Faixa de Gaza nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, resultando na morte de pelo menos 21 palestinos, incluindo seis crianças. Entre as vítimas está um médico que prestava auxílio às vítimas na cidade de Khan Younis, no sul do enclave, quando foi atingido por uma segunda explosão no mesmo local, conforme relatado pelo Ministério de Saúde local, administrado pelo grupo Hamas.

Violência intensa e relatos de civis afetados

Os ataques concentraram-se na Cidade de Gaza, região central do território, e em Khan Younis, no sul, causando destruição e pânico entre a população civil. Abu Mohamed Habouch, um residente local, descreveu à agência Reuters a tragédia que atingiu sua família durante um funeral: "Enquanto dormíamos em nossa casa, o tanque nos bombardeou e os projéteis atingiram nossa casa. Nossos filhos foram martirizados; meu filho foi martirizado, o filho e a filha do meu irmão foram martirizados… Não temos nada a ver com nada, somos pessoas pacíficas".

As forças militares israelenses justificaram os ataques afirmando que foram uma resposta a disparos de militantes palestinos contra soldados israelenses, que resultaram em um reservista gravemente ferido. Desde o início do cessar-fogo recente, autoridades de saúde de Gaza relatam que pelo menos 530 pessoas, a maioria civis, foram mortas por ações israelenses, enquanto as autoridades israelenses informam que quatro soldados foram mortos por militantes palestinos no mesmo período. Ambos os lados trocam acusações de violação da trégua, intensificando as tensões na região.

Suspensão da travessia de Rafah agrava crise humanitária

Em um movimento que agrava a situação humanitária, Israel suspendeu a passagem de doentes e feridos pela fronteira de Rafah, que conecta Gaza ao Egito, apenas dois dias após sua reabertura. Essa travessia é crucial para o acesso a tratamentos médicos especializados fora do enclave, que enfrenta limitações severas em sua infraestrutura de saúde.

Um porta-voz do Crescente Vermelho relatou que pacientes em um hospital de Khan Younis, preparados para cruzar a fronteira, foram informados do adiamento da travessia. Raja’a Abu Teir, um paciente palestino que aguardava evacuação, confirmou à Reuters: "Eles ligaram para os pacientes e disseram que hoje não há viagens, a travessia está fechada".

A reabertura de Rafah havia sido um dos requisitos do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel, firmado em outubro, visando facilitar o fluxo humanitário. No entanto, a agência israelense COGAT, responsável pelo controle de acesso a Gaza, emitiu um comunicado afirmando que, embora a passagem permaneça tecnicamente aberta, não recebeu da Organização Mundial da Saúde os detalhes de coordenação necessários para permitir a entrada e saída de palestinos, criando um impasse burocrático que deixa feridos e doentes sem assistência vital.

Este episódio destaca a fragilidade dos acordos de paz e a contínua deterioração das condições de vida na Faixa de Gaza, onde civis, incluindo crianças e profissionais de saúde, pagam o preço mais alto no conflito prolongado.