Ataque de drones da Rússia destrói abrigo de animais e mata cães na Ucrânia
Um ataque de drones realizado pela Rússia nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, atingiu um abrigo de animais localizado em Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia. O bombardeio resultou na morte de aproximadamente dez cachorros e deixou outros animais feridos, conforme relatos de funcionários do local à agência de notícias AFP.
Cena de destruição e sofrimento no abrigo
O abrigo, situado a cerca de 30 quilômetros da linha de frente do conflito, foi palco de uma cena devastadora. Um jornalista da AFP presente no local descreveu voluntários chorando enquanto limpavam os destroços deixados pelo ataque. Outros funcionários foram vistos removendo os corpos dos animais com a ajuda de um carrinho de mão, em um cenário de tristeza e desolação.
"É terrível. Os cães foram atingidos pela explosão, é muito difícil para mim falar sobre isso", declarou a voluntária Alina Fober, de 18 anos, emocionada com a tragédia. O ataque ocorreu às 9 horas no horário local, que corresponde às 4 horas da manhã no horário de Brasília, segundo informações de Irina, integrante da equipe do abrigo.
"Ouvimos aquele zumbido terrível e depois uma explosão", acrescentou Irina, detalhando os momentos de pânico que antecederam a destruição. A violência do ataque deixou marcas profundas não apenas nas instalações, mas também nos corações daqueles que dedicam seu tempo a cuidar dos animais.
Contexto de negociações de paz em meio a novos ataques
Este ataque ocorre em um momento delicado, marcado pelas conversas trilaterais entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, que estão sendo realizadas em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Representantes dos três países se reuniram na quinta-feira, 5 de fevereiro, para a segunda rodada de negociações visando encerrar a guerra que teve início com a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 22 de fevereiro de 2022.
Nesta sexta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que uma terceira rodada de negociações pode ocorrer "em breve", embora ainda não haja uma data oficialmente acordada. Por sua vez, o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, descreveu as conversas como "detalhadas e produtivas", mas ressaltou que "ainda há muito trabalho a ser feito".
"O engajamento diplomático contínuo está produzindo resultados tangíveis e impulsionando os esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia", declarou o enviado de Donald Trump, celebrando também o acordo para troca de prisioneiros alcançado recentemente.
Desafios nas negociações e renovação dos ataques
As negociações enfrentam obstáculos significativos, especialmente em relação à questão territorial. A Rússia exige, como condição prévia para qualquer acordo, que a Ucrânia retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas que são consideradas uma das defesas mais robustas dos ucranianos.
Em contrapartida, o governo de Volodymyr Zelensky defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais e rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças. Além disso, Kiev insiste no controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, que atualmente se encontra em uma área ocupada pela Rússia.
O presidente ucraniano afirmou que as conversas não têm sido fáceis e que sua delegação se manterá "o mais construtiva possível", mas expressou o desejo por "resultados mais rápidos". Enquanto isso, a Rússia renovou seus ataques à Ucrânia após uma pausa de uma semana, solicitada por Donald Trump a Vladimir Putin devido a uma forte onda de frio que atingiu o país.
No inverno polar, com temperaturas chegando a 20 graus negativos, os bombardeios ao setor energético ucraniano deixaram milhares de pessoas sem luz e aquecimento, agravando ainda mais a crise humanitária na região. O ataque ao abrigo de animais em Zaporizhzhia simboliza a extensão do sofrimento causado pelo conflito, atingindo não apenas humanos, mas também os seres mais vulneráveis.