Homenagem a Lula no Carnaval de Niterói gera polêmica e coloca Globo em situação delicada
A homenagem prestada pela escola de samba Acadêmicos de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval de Niterói desencadeou uma série de questionamentos e colocou a TV Globo em uma posição complicada. Como detentora dos direitos de transmissão do evento, a emissora optou por não exibir o refrão do samba-enredo, que faz uma releitura do jingle de campanha "Olê, olê, olê, olá/ Lula, Lula". Essa decisão reflete a sensibilidade em torno de possíveis violações à legislação eleitoral, especialmente em um ano de eleições presidenciais.
Questões legais e eleitorais em jogo
De acordo com a advogada especializada em Direito Eleitoral Ezikelly Barros, a homenagem em si não configura, a princípio, a prática de "propaganda extemporânea", pois não há um pedido explícito de voto. No entanto, ela ressalta que a avaliação sobre abuso de poder dependerá de circunstâncias específicas, que só poderão ser analisadas após o desfile da escola de samba. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se provocado, deverá considerar aspectos qualitativos, como o grau de reprovabilidade da conduta, e quantitativos, relacionados à repercussão no resultado eleitoral.
Opositores de Lula já se preparam para monitorar de perto os próximos passos da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto. Durante o período de campanha, qualquer uso de imagens do desfile ou trechos do samba-enredo em propagandas políticas poderá fortalecer argumentos de adversários ou do Ministério Público Eleitoral em representações por abuso de poder político ou econômico.
Contexto da transmissão e alcance do Carnaval
A Acadêmicos de Niterói desfilará no Sambódromo em uma posição considerada ingrata para as escolas – a primeira apresentação do primeiro dia, no domingo de Carnaval. No entanto, o horário da passagem pela avenida, a partir das 22h, garantirá uma boa audiência, com transmissão ao vivo pela TV Globo. Em 2025, a cobertura do Carnaval alcançou cerca de 81 milhões de pessoas em diversas plataformas, incluindo TV Globo, Globoplay, Multishow, G1 e Gshow, o que amplifica a visibilidade do evento e das homenagens realizadas.
Essa situação inédita, em que uma escola de samba homenageia um candidato à reeleição de forma tão explícita, levanta debates sobre os limites entre cultura e política, além de desafiar as emissoras a equilibrar a cobertura jornalística com as obrigações legais. A cautela da Globo em evitar a reprodução do refrão reflete a complexidade do cenário eleitoral brasileiro, onde cada movimento pode ser interpretado como uma jogada estratégica.