Manobra de Flávio Dino paralisa julgamento do STF sobre sucessão no governo do Rio
Dino paralisa julgamento do STF sobre sucessão no Rio

Manobra de Flávio Dino paralisa julgamento do STF sobre sucessão no governo do Rio

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou vista nesta quinta-feira, 4 de abril de 2026, durante o julgamento crucial que determinará como será conduzida a eleição para governador do estado do Rio de Janeiro. Com essa decisão, a votação foi suspensa indefinidamente, sem data prevista para retomada, criando um novo capítulo no complexo processo sucessório que envolve o Palácio Guanabara.

Justificativa do pedido de vista e impacto imediato

Flávio Dino fundamentou seu pedido explicando que deseja aguardar a publicação formal do acórdão pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referente à decisão que declarou o ex-governador Cláudio Castro, do Partido Liberal (PL), inelegível. "A publicação do acórdão pelo TSE vai elucidar até pontos que nós estamos aqui a controverter, porque afinal nós teremos os votos, o acórdão, a ementa", argumentou o ministro durante a sessão plenária.

Enquanto isso, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, permanecerá no comando do Executivo estadual até a conclusão definitiva do julgamento no STF. Apesar do pedido de vista, a sessão seguiu adiante porque o ministro André Mendonça solicitou antecipar seu voto, abrindo a possibilidade para que outros magistrados da corte sigam o mesmo procedimento nos próximos dias.

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O cenário jurídico e político em disputa

O Supremo Tribunal Federal precisa deliberar sobre um ponto central: se a renúncia de Cláudio Castro, ocorrida na véspera do julgamento do TSE que o tornou inelegível, constituiu uma manobra estratégica para escapar da cassação formal. Essa manobra teria como objetivo induzir eleições indiretas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde o PL detém a maior bancada parlamentar, garantindo assim maior controle sobre o processo sucessório.

A renúncia voluntária do ex-governador produziu efeitos diretos sobre a chamada eleição-tampão. Conforme estabelece a Constituição estadual fluminense, quando a vacância ocorre por renúncia na segunda metade do mandato, a regra prevê eleição indireta. Contudo, o Código Eleitoral estabelece parâmetros diferentes para casos de cassação, determinando eleição direta se a vacância acontecer a mais de seis meses do término do mandato.

Antecedentes e contexto da crise política

Cláudio Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022, especificamente por contratar funcionários temporários para atuarem como cabos eleitorais em sua campanha. Ao renunciar, ele evitou a cassação formal, mas continua sujeito aos efeitos da condenação, incluindo a inelegibilidade. O TSE poderia ter desconsiderado a renúncia como manobra, mas optou por não fazê-lo, emitindo inicialmente um comando para organização de eleições indiretas no Rio.

Essa determinação foi posteriormente suspensa através de uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do STF, que paralisou temporariamente o pleito. Enquanto isso, o Partido Liberal já havia traçado um plano detalhado para a sucessão no Palácio Guanabara. Com maioria na Alerj, a legenda pretendia emplacar o deputado estadual Douglas Ruas, ex-secretário estadual das Cidades, na eleição indireta para concluir o mandato de Castro.

Linha sucessória fragmentada e cenário sem precedentes

A situação política no Rio de Janeiro não tem precedentes recentes na história do estado. Uma série de imbróglios políticos e jurídicos varreu completamente a linha sucessória estabelecida para o governo fluminense. No ano anterior, o vice-governador Thiago Pampolha foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado, numa jogada política que abriu caminho para que o ex-deputado Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa, assumisse o governo quando Castro renunciasse.

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O ex-governador já tinha planos concretos de deixar o Executivo estadual para lançar sua candidatura ao Senado Federal. Entretanto, em dezembro, Bacellar foi preso e afastado da presidência da Alerj sob suspeita de vazar informações sigilosas de uma operação da Polícia Federal para TH Joias, ex-deputado ligado ao Comando Vermelho. Paralelamente, Cláudio Castro antecipou sua renúncia diante da cassação iminente pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE e participante do julgamento no STF, informou que o ministro Antonio Carlos Ferreira, relator do caso no tribunal eleitoral, sinalizou que concluirá a redação do acórdão o mais rapidamente possível. Flávio Dino terá o prazo regimental de 90 dias corridos para devolver a ação ao plenário do Supremo, prometendo fazê-lo assim que o documento for publicado oficialmente.