Chefe de gabinete de Keir Starmer renuncia após crise política envolvendo nomeação polêmica
Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, apresentou sua renúncia ao cargo neste domingo (8), em meio a uma crescente pressão sobre o premiê devido à controversa nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. A decisão ocorre em um momento delicado para o governo trabalhista, que enfrenta uma das crises mais sérias desde sua chegada ao poder há dezoito meses.
Assumindo responsabilidade pelo conselho equivocado
Em um comunicado oficial divulgado neste domingo, McSweeney assumiu total responsabilidade por ter aconselhado Starmer a nomear Mandelson, de 72 anos, para o cargo diplomático mais importante da Grã-Bretanha em 2024. A nomeação se tornou um grande problema político após revelações sobre os vínculos de Mandelson com o bilionário americano Jeffrey Epstein, cujos arquivos foram recentemente divulgados.
"A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada", afirmou McSweeney em seu comunicado. "Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política. Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho."
Crise política amplificada por escândalo Epstein
Keir Starmer enfrenta o que é amplamente considerado a crise mais grave de seus dezoito meses no poder, com questionamentos sobre seu discernimento após a publicação de documentos dos arquivos de Epstein. Esses documentos sugerem que Mandelson, quando era secretário de Negócios do governo britânico, enviou informações confidenciais do mercado ao criminoso sexual condenado.
McSweeney, que era protegido e amigo de Mandelson, foi acusado por alguns parlamentares trabalhistas e por oponentes políticos de não ter garantido que fossem feitas verificações de antecedentes adequadas quando a nomeação ocorreu. O governo de Starmer prometeu divulgar seus próprios e-mails e outros documentos relacionados à nomeação de Mandelson, que, segundo afirmam, demonstrarão que Mandelson enganou as autoridades.
Investigações policiais e desdobramentos recentes
Na sexta-feira (6), a polícia do Reino Unido cumpriu mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um na região de Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro na região de Camden, em Londres. Os mandados estariam relacionados a uma investigação sobre má conduta em cargo público, conforme informações da rede de televisão britânica BBC.
Mandelson renunciou na última terça-feira (3) à Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, após novas revelações sobre seus vínculos com Jeffrey Epstein. Antes disso, ele já havia se desvinculado do Partido Trabalhista, o mesmo do atual premiê Keir Starmer.
Repercussões políticas e futuro do governo
A saída de McSweeney lança dúvidas sobre o futuro do governo britânico, menos de dois anos depois de o Partido Trabalhista ter conquistado uma das maiores maiorias parlamentares da história moderna do país. O premiê passou a última semana defendendo publicamente McSweeney, uma estratégia que pode levantar ainda mais questionamentos sobre sua liderança.
Em comunicado divulgado neste domingo, Starmer disse que foi "uma honra" trabalhar com McSweeney, reconhecendo sua contribuição, mas a renúncia ocorre em um contexto de intensa pressão política. O governo britânico preparava uma legislação para expulsar Mandelson da Câmara dos Lordes e retirar o título de nobreza, Lord Mandelson, que ele recebeu com sua nomeação vitalícia ao Parlamento.
Além disso, o governo informou que enviou um dossiê à polícia, que investiga alegações de que Mandelson teria repassado informações sensíveis do governo ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Peter Mandelson, que já foi um dos políticos mais influentes do Reino Unido durante os governos de Tony Blair e Gordon Brown, é casado com o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, adicionando um elemento internacional ao caso.