Filhos de Bolsonaro apoiam caminhada de Nikolas Ferreira contra condenações do STF
Bolsonaro apoia caminhada de Nikolas Ferreira contra STF

Filhos de Bolsonaro se unem em apoio a caminhada de protesto contra condenações do STF

A família Bolsonaro demonstrou união pública ao declarar apoio à caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, iniciada na última segunda-feira em Paracatu, Minas Gerais. O ato político, que percorrerá aproximadamente 240 quilômetros até a capital federal, tem como objetivo protestar contra as condenações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro, julgadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Mobilização familiar e posicionamento estratégico

O senador Flávio Bolsonaro, considerado pré-candidato à Presidência pelo grupo, não participou fisicamente da caminhada devido a uma viagem a Israel, mas manifestou apoio por telefone aos organizadores. "Parabéns pela iniciativa", declarou o parlamentar, acrescentando que "não é um movimento de confronto, mas de esperança". Notavelmente, Flávio evitou mencionar diretamente o STF em suas declarações, alinhando-se à postura recente de Michelle Bolsonaro, que se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes para discutir condições do marido preso.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde o ano passado, manifestou-se por vídeo, afirmando que a caminhada representa "uma boa resposta para dizer que ninguém está virando as costas para os presos políticos". A reconciliação entre Eduardo e Nikolas Ferreira é significativa, considerando as tensões públicas do ano passado, quando o ex-parlamentar criticou o deputado por não se posicionar suficientemente em defesa de articulações internacionais contra Moraes.

Participação direta e apoio parlamentar

Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, juntou-se pessoalmente à caminhada na terça-feira, atendendo a pedidos de seus irmãos. Em declaração amplamente divulgada nas redes do PL nacional, Carlos elogiou a "maturidade gigantesca" de Nikolas Ferreira e destacou a importância do apoio aos "presos políticos do 8 de Janeiro".

O deputado federal Carlos Jordy, vice-líder da Minoria na Câmara, classificou o apoio da família Bolsonaro como "muito simbólico" e indicativo de que o grupo está no caminho certo. "Tudo isso só está acontecendo por causa do presidente Bolsonaro, que deu início a todo esse movimento da direita no país", afirmou Jordy, que também participou do ato.

Reações políticas e contexto legislativo

Do lado governista, o deputado Rogério Correia classificou o protesto como "a caminhada da mentira e do golpe", acusando os organizadores de criar clima para inverter decisões democráticas. A deputada Dandara Tonantzin criticou o foco no protesto enquanto o país enfrenta pautas urgentes como custo de vida e condições trabalhistas.

Na carta que justifica a caminhada, Nikolas Ferreira menciona "desumanização dos brasileiros presos após o dia 8" e "perseguição sistemática a opositores políticos", evitando citar diretamente o STF, mas fazendo referência a decisões do tribunal. Entre as principais reivindicações está a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que previa redução de penas para condenados dos atos de 8 de janeiro.

Contexto familiar e tensões políticas

A mobilização ocorre em um momento de tensões dentro do bolsonarismo, evidenciadas recentemente pelo cancelamento da visita do governador Tarcísio de Freitas à unidade onde Bolsonaro está preso. O episódio expôs pressões de Flávio Bolsonaro e ruídos entre aliados, gerando desconforto entre apoiadores do ex-presidente e levantando questões sobre a sucessão presidencial no grupo.

A caminhada deve chegar a Brasília no domingo, consolidando-se como um dos principais atos políticos de oposição no início do ano, enquanto o Congresso permanece em recesso até 2 de fevereiro, quando retomará a análise do veto presidencial que motivou parte das reivindicações do protesto.