Um terço das graduações em medicina no Brasil recebeu uma avaliação considerada ruim no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed. Os dados preocupantes foram divulgados na manhã desta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, durante um encontro que reuniu os ministros da Educação e da Saúde com jornalistas.
Expansão acelerada e qualidade questionada
Em entrevista ao Conexão Record News, também nesta segunda-feira, a especialista em educação e presidente do Instituto Salto, Cláudia Costin, analisou os resultados. Ela apontou uma relação direta entre a má avaliação e o crescimento acelerado no número de instituições que passaram a oferecer o curso de medicina no país.
"Não quer dizer que a gente deva fechar [os cursos mal avaliados], mas nós devemos ter um sistema de supervisão que estabeleça medidas para que esses cursos melhorem", afirmou Costin. Para ela, uma das formas de garantir essa melhoria é promover uma conexão maior com a prática clínica ainda durante a graduação, antes mesmo do período de residência médica.
Papel dos municípios na oferta do curso
A especialista também levantou um debate importante sobre a responsabilidade de diferentes esferas de governo na educação superior. Costin questionou se as universidades municipais deveriam, de fato, ser as responsáveis por oferecer cursos de medicina.
"Pela Constituição, a responsabilidade em educação principal de municípios é educação infantil e anos iniciais do fundamental, em alguns casos anos finais do fundamental, não é oferecer cursos de medicina", argumentou. A declaração reforça a necessidade de um foco maior dos municípios na educação básica, que é sua atribuição constitucional primordial.
O caminho para a melhoria
O resultado do Enamed serve como um alerta para a qualidade da formação médica nacional. A análise de Cláudia Costin vai além da simples crítica e aponta soluções. A implementação de um sistema de supervisão eficaz aparece como medida urgente para induzir a qualificação dos cursos existentes, em vez de apenas discutir abertura ou fechamento de vagas.
Além disso, a ênfase na prática desde cedo na graduação é vista como um pilar fundamental para melhorar a preparação dos futuros profissionais. O debate agora se desloca para como as instituições, os órgãos reguladores e as diferentes esferas de governo vão responder a esse diagnóstico para garantir que os estudantes de medicina recebam uma formação à altura das necessidades da saúde pública brasileira.