Enamed: quase 30% dos cursos de medicina têm avaliação insatisfatória
Enamed: 107 cursos de medicina com nota baixa

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou, nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Os números revelam um cenário preocupante para a educação médica no país: quase um terço dos cursos avaliados obteve um desempenho considerado insatisfatório.

Resultados detalhados do exame

No total, 351 cursos de medicina em todo o Brasil passaram pela avaliação. Desse universo, 107 cursos, o equivalente a aproximadamente 30,5%, receberam os conceitos 1 ou 2, classificados como insatisfatórios pela régua do Inep, que vai de 1 (pior) a 5 (melhor). A prova é aplicada anualmente para estudantes, incluindo concluintes, com o objetivo de medir seu desempenho e, por consequência, a qualidade do ensino oferecido pelas faculdades.

Do grupo com avaliação ruim, 24 cursos atingiram o conceito 1, a nota mais baixa possível. Outros 83 ficaram com o conceito 2. A participação no exame foi expressiva, contando com cerca de 89 mil alunos, sendo 39 mil deles concluintes prestes a ingressar no mercado de trabalho.

Consequências e sanções para as instituições

As instituições com desempenho ruim já começam a sentir os efeitos. Todas os 107 cursos com conceito 1 ou 2 serão punidos com restrição ou suspensão de vagas. As medidas variam de acordo com a gravidade da avaliação.

Os 24 cursos com conceito 1 sofrerão as penalidades mais severas. Oito deles não poderão receber novos alunos de medicina e serão suspensos de programas federais de financiamento e bolsas, como o Fies e o ProUni. Para os demais, as punições incluem redução no número de vagas ou de cursos oferecidos.

Desempenho por tipo de instituição

A análise dos dados por categoria de mantenedora mostra disparidades significativas na qualidade do ensino. A situação é mais crítica nas faculdades públicas municipais, onde 87% se concentraram nos conceitos mais baixos (1 e 2).

Em seguida, aparecem as instituições privadas com fins lucrativos, com 58% delas também nas faixas insatisfatórias. Em contraste, a maior parte das universidades públicas federais e estaduais apresentou excelência.

87% das federais e 84,7% das estaduais alcançaram os conceitos máximos, 4 e 5, demonstrando um padrão de qualidade consistentemente alto no setor público federal e estadual.

Os resultados do Enamed acendem um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização e investimento na qualidade da formação médica, especialmente em determinados modelos de gestão, garantindo que os futuros profissionais estejam adequadamente preparados para atender a população brasileira.