Convocados da Educação e Saúde enfrentam obstáculos para exames médicos no RN
Profissionais aprovados em concursos públicos das áreas de Educação e Saúde do Rio Grande do Norte estão encontrando dificuldades significativas para realizar os exames médicos obrigatórios na Junta Médica do Estado. Essas avaliações são um requisito fundamental para que os candidatos possam finalmente assumir suas vagas como servidores públicos estaduais, mas problemas de agendamento e longas filas têm gerado incertezas e frustrações.
Problemas operacionais e cenário de incerteza
Nesta quarta-feira (21), o Centro Administrativo em Natal voltou a ser palco de um cenário preocupante. Diversos convocados chegaram a passar a noite no local na esperança de conseguir um atendimento, já que o sistema online de agendamento não tem funcionado adequadamente. Quando tentam buscar encaixes presencialmente, muitos também acabam não sendo atendidos, criando um ciclo de ansiedade e desgaste.
A professora Mariana Oliveira, que viajou de Currais Novos para Natal, relatou ter dormido na recepção da junta médica na tentativa de passar pela avaliação. Até o final da manhã de quarta-feira, ela ainda não havia conseguido. "O agendamento não está sendo feito, disponibilizado. Eles falam que não tem médico, que só são dois médicos, e a gente não entende. Porque eles sabiam que iria ter essa convocação gigante. E eles não se prepararam para isso", lamentou a profissional.
Preocupação com prazos e consequências
Os convocados expressam apreensão crescente com a aproximação do prazo final para a posse. "A gente não consegue marcar a junta, está vindo para cá atrás de um encaixe para não ter que fazer uma prorrogação de posse, porque vai acabar prejudicando a gente. Além do que a gente vai ter que refazer alguns exames", explicou Mariana Oliveira. Essa situação pode resultar em custos adicionais e atrasos na entrada no serviço público.
Os números dos concursos envolvidos são expressivos: a Educação convocou mais de 1,6 mil aprovados, enquanto a Saúde nomeou mais de 800 candidatos na última chamada, além de outros 600 anteriormente. Essa concentração de demandas em curto espaço de tempo parece ter sobrecarregado a capacidade operacional da junta médica.
Resposta do Estado e medidas emergenciais
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Administração (Sead) reconheceu os problemas e informou que está adotando medidas emergenciais para regularizar os atendimentos. A pasta afirmou que, em um intervalo de aproximadamente 20 dias, realizou mais de 3 mil nomeações e que mais de mil atendimentos já foram concretizados na junta médica.
A Sead esclareceu que os candidatos que se sentirem prejudicados ou temerem não concluir todas as etapas dentro do prazo podem solicitar a prorrogação da posse, o que ampliaria o tempo disponível para finalização do processo, conforme previsto na legislação vigente. Para os aprovados da Secretaria de Educação, a posse será realizada de forma coletiva dentro do prazo de vigência da convocação.
Esforços para ampliar a capacidade de atendimento
Segundo a Sead, a secretaria já havia ampliado preventivamente a oferta de médicos do trabalho em dezembro e intensificou em janeiro as articulações com o IPERN e com a SESAP. O objetivo é aumentar o número de profissionais disponíveis e atenuar os impactos da procura intensa registrada nas últimas semanas.
A pasta também informou que está reorganizando as escalas "para ampliar significativamente o número diário de atendimentos nos próximos dias". A Sead reforçou que o procedimento de posse segue rigorosamente os ritos administrativos previstos na legislação, observados por órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado, para garantir segurança jurídica aos nomeados.
Orientações oficiais para os candidatos
A Sead emitiu as seguintes orientações para os convocados:
- Novas vagas de agendamento continuarão sendo liberadas regularmente, exclusivamente pelo sistema disponível em www.juntamedica.rn.gov.br, sempre às 12h
- Os candidatos devem acompanhar o sistema online regularmente
- É recomendado evitar comparecer à Secretaria sem agendamento prévio, pois essa prática compromete a organização dos atendimentos e reduz a capacidade operacional da Junta Médica
A situação permanece em acompanhamento, com os convocados aguardando soluções concretas que permitam a conclusão dos processos de admissão no serviço público estadual do Rio Grande do Norte.