CNJ suspende concurso para juiz no Tocantins após denúncias de padronização de respostas
CNJ suspende concurso para juiz no Tocantins por denúncias

CNJ suspende concurso para juiz substituto no Tocantins após denúncias de padronização de respostas

Por meio de uma decisão liminar, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a suspensão do concurso público para provimento de cargos de juiz substituto do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO). A medida obriga a Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do certame, a reavaliar de forma individualizada todos os recursos apresentados pelos candidatos durante a segunda fase da seleção. A liminar foi concedida pelo conselheiro do CNJ, Marcello Terto, e interrompe todas as etapas do processo seletivo até a conclusão da reanálise.

Denúncias de falta de análise específica motivam suspensão

A suspensão ocorreu após candidatos denunciarem uma suposta padronização de respostas por parte da FGV, sem que houvesse uma análise individualizada das alegações enviadas à banca. Além disso, foi apontada uma falta de fundamentação adequada nas avaliações realizadas. Em nota conjunta, a FGV e o TJ-TO confirmaram a suspensão temporária do concurso, em cumprimento à determinação do CNJ, destacando que o certame está interrompido até a reavaliação dos recursos contra as provas de sentenças.

Na decisão, tomada no âmbito de um Procedimento de Controle Administrativo (PCA), o conselheiro Marcello Terto destacou que existem indícios de que as respostas fornecidas pela FGV não demonstram a análise específica de cada recurso. Ele ressaltou que a controvérsia não se trata da nota em si, mas da validade formal e material do julgamento administrativo. Para o relator, a banca tem o dever de motivação, ou seja, a obrigação de explicar as razões fundamentadas que levaram à manutenção ou alteração de uma nota.

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Reavaliação individualizada e possível uso de inteligência artificial

Com a liminar, a FGV deverá reanalisar os recursos de forma individualizada e motivada, indicando os pontos considerados e os fundamentos das decisões, além de demonstrar a relação entre os argumentos dos candidatos e a conclusão adotada. O TJ-TO também foi instado a esclarecer, junto à banca, se houve o uso de ferramentas automatizadas ou de inteligência artificial (IA) na correção das provas e na análise dos recursos. Caso tenha ocorrido, o tribunal deverá detalhar os critérios e os mecanismos de supervisão empregados.

O conselheiro justificou a urgência da medida ao afirmar que o avanço das etapas do concurso poderia consolidar uma situação de difícil reversão. A decisão liminar ainda será submetida ao referendo do Plenário do CNJ, mas já tem efeito imediato. Embora o CNJ admita respostas padronizadas em casos específicos, o relator pontuou que isso só é permitido quando há correspondência real entre os argumentos do candidato e a fundamentação da banca, o que não teria ocorrido neste caso específico.

Impacto no processo seletivo e próximos passos

A suspensão temporária do concurso para juiz substituto do TJ-TO gera incertezas sobre os prazos e a continuidade do processo seletivo. Candidatos aguardam a reavaliação individualizada dos recursos, que deve trazer maior transparência e justiça à correção das provas. A FGV e o TJ-TO reiteraram em nota que estão cumprindo a determinação do CNJ e que o certame permanece interrompido até a conclusão da reapreciação.

Este caso destaca a importância do dever de motivação e da análise criteriosa em concursos públicos, especialmente em seleções para cargos de alto nível, como o de juiz. A decisão do CNJ serve como um alerta para outras bancas organizadoras sobre a necessidade de fundamentação adequada e tratamento individualizado dos recursos, evitando práticas que possam comprometer a legitimidade do processo seletivo.

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