Lula responde a Trump com tom duro e cita Lampião em defesa do multilateralismo
Em discurso marcante realizado nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou uma mensagem clara ao ex-presidente americano Donald Trump. Com linguagem carregada de ironia e metáforas impactantes, o mandatário brasileiro estabeleceu posições firmes sobre o papel do Brasil no cenário internacional.
Recado direto com referência histórica
Lula utilizou uma referência surpreendente ao mencionar a figura histórica de Lampião para ilustrar sua postura. "Se o Trump conhecesse, sabe o que que é a sanguinidade de Lampião num presidente? Ele não ficaria provocando a gente", afirmou o presidente, demonstrando que não aceitará provocações ou tentativas de intimidação.
O mandatário deixou claro que não busca confrontos militares ou retóricos agressivos com Washington, mas estabeleceu limites muito definidos sobre o que considera aceitável nas relações internacionais. A mensagem foi elaborada para ser compreendida tanto pelo público interno quanto pelos atores globais.
Disputa de narrativas no lugar da força
Um dos pontos centrais do discurso foi a defesa do multilateralismo como princípio orientador da política externa brasileira. Lula explicitamente rejeitou a lógica do "mais forte manda" que tem caracterizado algumas abordagens unilaterais no tabuleiro global.
Segundo o presidente, a verdadeira disputa internacional não se dá no campo das armas ou da supremacia econômica, mas sim no plano das ideias e da construção de narrativas. Ele defendeu que o equilíbrio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial precisa ser preservado contra visões que ameaçam essa arquitetura internacional.
Autonomia estratégica sem alinhamentos automáticos
Lula foi categórico ao afirmar que o Brasil não escolherá lados na disputa entre Estados Unidos e China. "O Brasil não escolhe entre Estados Unidos ou China, mas entre aquilo que considera melhor para seus interesses nacionais", declarou o presidente.
Esta posição reforça a busca por autonomia estratégica, afastando tanto a ideia de submissão a Washington quanto qualquer sinalização de dependência excessiva de Pequim. A postura reflete uma diplomacia que privilegia os interesses brasileiros acima de alianças automáticas.
Mensagem dupla: externa e interna
Embora endereçada principalmente a atores internacionais, a fala de Lula também dialoga intensamente com o eleitorado brasileiro. Ao adotar um tom de enfrentamento retórico com uma figura global como Trump, o presidente reforça uma imagem de liderança firme e soberana.
A escolha de palavras fortes, metáforas populares e referências à história brasileira não é casual. Estes elementos constroem um contraste deliberado com abordagens unilaterais e ressoam politicamente em um contexto de polarização tanto nacional quanto global.
O discurso representa mais do que uma simples resposta a provocações. Ele delineia os princípios que guiarão a política externa brasileira, com ênfase na construção de narrativas alternativas, na defesa do multilateralismo e na afirmação da autonomia nacional em um mundo cada vez mais complexo e disputado.