A guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã tem gerado impactos significativos nas contas externas brasileiras. Com a valorização de commodities, especialmente o petróleo, o saldo da balança comercial cresceu fortemente até abril, superando o aumento dos gastos com serviços, como viagens e propriedade intelectual, além de encargos de créditos externos e remessas de lucros.
Resultados de abril e acumulado do ano
Em abril, o déficit em transações correntes somou US$ 1,765 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão no mesmo mês de 2025. No primeiro quadrimestre, houve melhora: o déficit caiu de US$ 24,3 bilhões para US$ 22,0 bilhões. A consultoria 4intelligence avaliou que o quadro das contas externas continua robusto, com investimento direto no país acima de US$ 75 bilhões em 12 meses e balança comercial firme.
Serviços em alta
O déficit em serviços aumentou nas duas bases de comparação. Em abril, passou de US$ 4,1 bilhões para US$ 5,0 bilhões (+23,3%), enquanto no acumulado avançou de US$ 16,5 bilhões para US$ 17,1 bilhões (+4,0%). As principais pressões vieram de viagens, com déficit saltando de US$ 875 milhões para US$ 1,5 bilhão em abril (+66,4%), e de telecomunicações e computação, com crescimento de 26% para US$ 839 milhões.
Por outro lado, a inversão no fluxo de petróleo e derivados reduziu o déficit acumulado em transportes em 23%, de US$ 5,0 bilhões para US$ 3,8 bilhões. O superávit em outros serviços de negócio também avançou, de US$ 599 milhões para US$ 732 milhões em abril (+22,2%).
Renda primária e investimento direto
A renda primária registrou deterioração acentuada. O déficit mensal aumentou de US$ 5,0 bilhões para US$ 6,8 bilhões (+35,5%), enquanto no acumulado subiu de US$ 23,8 bilhões para US$ 28,2 bilhões (+18,5%). A renda de investimento direto respondeu pela maior parte, com déficit passando de US$ 4.218 milhões para US$ 5.437 milhões em abril (+28,9%). Os lucros reinvestidos no Brasil cresceram 46,4%, sugerindo maior retenção de resultados pelas multinacionais.
O investimento direto no país (IDP) mostrou forte expansão. Em abril, os ingressos líquidos saltaram de US$ 5.371 milhões para US$ 8.912 milhões (+65,9%). No acumulado, a alta foi mais moderada, de US$ 28,4 bilhões para US$ 29,9 bilhões (+5,4%).
Previsões para maio e 2026
A 4intelligence prevê para maio déficit de US$ 6,6 bilhões em transações correntes, com remessas elevadas de renda (US$ 8,3 bilhões) e ingresso de US$ 7,8 bilhões em IDP. Para 2026, a projeção é de déficit em conta corrente de US$ 54,2 bilhões, abaixo da previsão do Banco Central de US$ 58 bilhões. A consultoria estima saldo comercial de US$ 67,9 bilhões, contra US$ 73 bilhões do BC, e déficit em serviços de US$ 52,3 bilhões. A maior divergência está na renda primária: o BC projeta déficit de US$ 82 bilhões, enquanto a 4intelligence estima US$ 72,3 bilhões.



