MP do DF recomenda fim da barra dinâmica para mulheres em concurso do Corpo de Bombeiros
O Ministério Público do Distrito Federal emitiu uma recomendação formal para que o Corpo de Bombeiros Militar do DF deixe de exigir o teste de barra dinâmica para mulheres nos concursos públicos da corporação. A medida, divulgada nesta segunda-feira (9), aponta que a exigência desconsidera diferenças fisiológicas entre homens e mulheres e pode configurar um tipo de discriminação de gênero.
Detalhes da recomendação e justificativas
De acordo com o documento, datado de 26 de fevereiro, o concurso do CBMDF inclui a barra dinâmica como prova eliminatória e classificatória no Teste de Aptidão Física (TAF). A recomendação argumenta que "a manutenção de critérios avaliativos incompatíveis com a natureza biológica feminina perpetua preconceitos de gênero e limita o acesso de mulheres a cargos públicos".
O MP fundamenta sua posição em:
- A Constituição Federal, que assegura igualdade entre homens e mulheres.
- A Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
- A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher.
Diferenças entre barra dinâmica e estática
É importante esclarecer as distinções entre os exercícios:
- Barra dinâmica: Exercício de força muscular onde a pessoa realiza flexão e extensão completa dos braços na barra fixa (subir e descer o queixo).
- Barra estática (ou isometria na barra fixa): Exercício de resistência muscular, onde a pessoa sustenta o peso do próprio corpo suspenso na barra fixa por um tempo determinado, sem movimentos de subida e descida.
Impacto desproporcional em candidatas
A recomendação cita estudos e dados históricos que mostram uma reprovação desproporcional de mulheres quando o teste de barra dinâmica é adotado:
- Em 2008 e 2011, a Polícia Civil do DF aplicou a prova de barra estática para candidatas, resultando em índices de reprovação equivalentes entre homens e mulheres.
- Em 2016, em um concurso da Polícia Civil, 89,5% das mulheres foram reprovadas, enquanto menos de 2% dos homens não passaram.
- Em 2025, no concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Rio, a barra dinâmica gerou um índice de reprovação de 70% para mulheres e apenas 6% para homens.
O g1 entrou em contato com o Corpo de Bombeiros do DF, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A recomendação do MP busca promover maior equidade nos processos seletivos, alinhando-se a tendências nacionais, como a recente incorporação de mulheres às Forças Armadas.



