Mãe de Eliza Samudio e madrinha de Bruninho enviam carta aberta denunciando falhas na Justiça
Em uma carta aberta enviada ao g1 nesta terça-feira (17), Sônia Fátima Moura, mãe da modelo Eliza Samudio, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho Samudio, filho da vítima, detalharam críticas contundentes ao sistema judiciário brasileiro. O documento questiona o cumprimento da pena de Bruno Fernandes, ex-goleiro condenado a mais de 22 anos de prisão pelo homicídio de Eliza Samudio, caso que continua sem a localização do corpo da vítima.
Descumprimento de regras e viagens não autorizadas
Segundo a carta, mesmo sob decisão judicial e regras do regime semiaberto, Bruno Fernandes teria circulado livremente pelo país, realizando viagens a outros estados sem autorização. As autoras citam especificamente deslocamentos para o Espírito Santo, Minas Gerais e Acre, onde o condenado teria participado de partidas de futebol e eventos públicos. O documento destaca que essas atividades não condizem com sua condição de apenado e representam uma afronta ao sistema de justiça.
A demora da Vara de Execução Penal em tomar providências também é criticada. De acordo com o texto, foram necessários anos para que medidas fossem adotadas diante do descumprimento de obrigações legais, como a assinatura do termo de livramento condicional. "A Vara de Execução Penal levou três anos para tomar qualquer providência", afirma a carta, ressaltando a lentidão processual.
"Deboche à Justiça" e situação do filho de Eliza
As autoras utilizam a expressão "deboche à Justiça" para descrever a exposição pública de Bruno Fernandes enquanto a família de Eliza enfrenta o luto sem respostas. O corpo de Eliza Samudio nunca foi localizado, o que, segundo a carta, aumenta a sensação de impunidade e revolta entre os familiares.
O texto também aborda a situação do filho de Eliza, Bruninho. As autoras afirmam que Bruno Fernandes se recusou inicialmente a reconhecer a paternidade e que o pagamento de pensão foi irregular, apontando a falta de ação efetiva do Estado. "Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho", denunciam.
Questionamentos sobre violência contra a mulher
A carta questiona a eficácia da Justiça em casos de violência contra a mulher, perguntando "quantas vítimas ainda serão necessárias para que haja rigor no cumprimento das penas". As autoras enfatizam que o tratamento leniente com um feminicida condenado envia uma mensagem perigosa à sociedade, sugerindo que o crime compensa e que a vida de mulheres como Eliza não é valorizada.
Por fim, o documento lista os seguintes pedidos às autoridades:
- Investigação das viagens feitas sem autorização
- Atuação mais rigorosa do Ministério Público
- Cumprimento integral da pena
- Responsabilização por descumprimento das regras
As autoras reforçam que não buscam vingança, mas o cumprimento da lei e respeito às vítimas, afirmando que seguirão denunciando o caso e cobrando providências. "Seguiremos firmes. Seguiremos denunciando", declaram no documento, que é datado de 16 de março de 2026.
Bruno é considerado foragido pela Justiça
O Disque Denúncia divulgou um comunicado pedindo informações sobre o paradeiro de Bruno Fernandes. Segundo o Tribunal de Justiça, um mandado de prisão foi expedido no dia 5 de março, depois que a Vara de Execuções Penais concluiu que ele descumpriu condições da liberdade condicional. Ainda de acordo com a Justiça, o ex-goleiro não se apresentou para retornar ao regime semiaberto, sendo atualmente considerado foragido.
Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Eliza Samudio, caso que teve grande repercussão nacional e continua sem solução quanto ao paradeiro do corpo da vítima. A carta aberta surge como um novo capítulo na longa batalha judicial e emocional enfrentada pela família de Eliza.



