Justiça mantém ordem de desocupação em porto de Santarém ocupado por indígenas
Justiça mantém ordem de desocupação em porto ocupado por indígenas

Justiça mantém ordem de desocupação em porto de Santarém ocupado por indígenas

Uma decisão judicial assinada nesta quarta-feira (18) pelo juiz federal Shamyl Cipriano, relator convocado do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, revogou uma medida anterior e manteve a ordem da Justiça Federal para desocupação forçada das vias de acesso ao porto de Santarém, no oeste do Pará. A área está ocupada por indígenas da região do Tapajós há 29 dias, em protesto contra a concessão da hidrovia local.

Recursos e decisão judicial

Os recursos que haviam sido acolhidos em regime de plantão no domingo (15) foram apresentados pelo Ministério Público Federal e pela Defensoria Pública da União. A Defensoria pediu a suspensão da ordem de desocupação forçada ou, alternativamente, a inclusão das comunidades indígenas no processo e um prazo razoável para planejamento operacional de retirada, com protocolo de proteção a crianças, adolescentes e idosos.

Em sua decisão, o juiz Shamyl Cipriano destacou que a adoção de medidas pela União para restabelecer o acesso ao porto não impede que os indígenas continuem realizando o protesto, iniciado em 22 de janeiro de 2026. O magistrado afirmou que a União tem o dever jurídico de garantir a livre circulação em bens sob sua jurisdição e o cumprimento de contratos de concessão.

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Protesto indígena e interceptação de balsa

Nesta quinta-feira (19), cerca de 400 indígenas em quatro barcos interceptaram uma balsa de grãos no rio Tapajós, em Santarém. O ato pacífico visa chamar a atenção do governo federal e da sociedade para os impactos da transformação dos rios amazônicos em corredores de exportação. A embarcação, parte da cadeia logística de escoamento de soja pelo Arco Norte, está atracada no porto da multinacional Cargill.

A ocupação, que bloqueia o acesso terrestre ao porto, ganhou reforço de representantes dos povos Kayapó e Panará, vindos da região do Alto Xingu, em Mato Grosso, e do Pará. Segundo a coordenação, cerca de 1,2 mil indígenas seguem no protesto, que agora exerce pressão também por via fluvial.

Reivindicações e diálogo com o governo

Indígenas de 14 etnias das regiões do Baixo, Médio e Alto Tapajós exigem a revogação do Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada. Os povos temem impactos da dragagem do Rio Tapajós sobre seus modos de vida, incluindo escassez de peixes e contaminação da água.

Após negociações, em 6 de fevereiro foi revogado um edital de licitação para dragagem e criado um grupo de trabalho interministerial para tratar de processos de consulta. Como a principal reivindicação – a revogação do decreto – não foi atendida, o protesto continua.

Posicionamentos oficiais

O Ministério de Portos e Aeroportos informou que o governo federal está em diálogo direto com as lideranças desde o início da mobilização. A nota afirma que nenhuma iniciativa relacionada à concessão ou dragagem no Rio Tapajós avançará sem o processo de Consulta Prévia, Livre e Informada, conforme a Convenção 169 da OIT.

O DNIT disse que identificou sete pontos críticos que precisam ser dragrados no rio Tapajós e que realiza um relatório e plano de controle ambiental, atendendo a determinação da Semas. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará afirmou que não há demanda protocolada no órgão para autorização de dragagem no rio Tapajós.

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