Família de João Cândido aciona Justiça Federal por indenização milionária por violação de memória histórica
A família de João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro" e principal líder da Revolta da Chibata, entrou com uma ação na Justiça Federal pedindo uma indenização de R$ 4 milhões contra a União. Os herdeiros alegam que, mesmo após a anistia reconhecida por lei, registros e narrativas institucionais continuam a desqualificar a trajetória do marinheiro negro, violando sua memória e dignidade histórica.
Processo busca reparar dívida histórica e garantir respeito à luta
Segundo o advogado e jurista Hédio Silva Jr., que representa a família, o processo vai além de uma mera interpretação histórica. "O que está em discussão é o dever do Estado de respeitar a memória, a dignidade e a verdade histórica de João Cândido, que foi anistiado por lei após lutar contra castigos desumanos", afirmou ele em entrevista à coluna GENTE. A ação tem o envolvimento direto dos familiares, incluindo Lorrane Cândido, neta do líder, que destaca a iniciativa como uma forma de reparação. "Não é só sobre o passado. É sobre garantir respeito à história do meu avô e à luta que ele representa até hoje", ressaltou.
Contexto histórico da Revolta da Chibata e suas repercussões atuais
A Revolta da Chibata ocorreu em 1910 no Rio de Janeiro, liderada por marinheiros, em sua maioria negros, contra castigos físicos e condições degradantes na Marinha, poucos anos após o fim da escravidão no Brasil. Embora tenha havido anistia na época, a família afirma que a memória de João Cândido segue sendo alvo de distorções em registros oficiais, perpetuando uma narrativa que minimiza sua contribuição e luta. Este processo judicial busca não apenas compensação financeira, mas também uma revisão histórica que honre seu legado.



