A Polícia Civil do Distrito Federal abriu uma investigação para apurar a conduta de um bombeiro militar que utilizou termos racistas para se referir a uma médica negra em um grupo de mensagens. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que a profissional de saúde, Rithiele Souza, relatou ter passado por uma abordagem policial constrangedora.
O vídeo que originou o ataque racista
O episódio começou quando Rithiele Souza publicou um relato na internet sobre uma abordagem da polícia que considerou constrangedora. A médica contou que, ao chegar de carro em sua residência, foi interpelada por agentes. Ela narrou que a primeira pergunta foi se o veículo era realmente dela, e que o tom da abordagem mudou completamente após ela mostrar sua identidade funcional.
"Me senti constrangida pela forma da primeira abordagem. 'Desce do carro, o que você está fazendo aqui?'", disse Rithiele à TV Globo. "Após eu ter me identificado como médica, a abordagem foi totalmente pacífica, me trataram bem", completou. Em seu desabafo, a médica fez um apelo: "Estudem real, tá? Estudem. Porque uma negra, dentro de um carro desse, fui abordada. Me perguntaram se eu tinha passagem [pela polícia], tudo mais".
A mensagem ofensiva e a reação da vítima
O vídeo, que viralizou e gerou debates, foi parar em um grupo de mensagens de bombeiros militares do DF. Foi nesse ambiente que um dos integrantes do grupo cometeu o ato racista. Em uma das mensagens, o bombeiro se referiu a Rithiele Souza como "macaca" e escreveu: "A macaca quis meter a carteirada. Parabéns, policiais do DF".
A médica tomou conhecimento do conteúdo ofensivo através de outro bombeiro militar que a alertou sobre as mensagens que circulavam no grupo. Profundamente abalada, Rithiele procurou um advogado e registrou um boletim de ocorrência na última quinta-feira, dia 1º. O caso está sob investigação da 1ª Delegacia de Polícia, localizada na Asa Sul.
"Fiquei muito triste, ainda sigo meio estarrecida. É uma pauta ainda muito sensível, não é a primeira vez que eu sofro racismo. Estou me sentindo exposta, indefesa", desabafou a médica à emissora.
Posicionamento das corporações envolvidas
Diante do caso, a Polícia Militar do DF emitiu uma nota afirmando que suas abordagens seguem critérios técnicos e legais, sendo realizadas de forma igualitária e sem distinção de posição social, profissão, raça ou qualquer outra condição. A corporação destacou que não se responsabiliza por condutas individuais externas à sua estrutura institucional.
Já o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal informou que ainda não foi comunicado oficialmente sobre o boletim de ocorrência, mas garantiu que, assim que houver notificação formal, será instaurado um processo administrativo para apuração dos fatos. A nota do CBMDF ressaltou que não administra grupos de aplicativos de mensagens, sendo estes de responsabilidade exclusiva de seus participantes, e reafirmou que não compactua com condutas contrárias à lei e aos valores institucionais.
O caso evidencia a gravidade do racismo estrutural e a propagação de discursos de ódio, mesmo em ambientes institucionais, reforçando a necessidade de apuração rigorosa e de medidas punitivas e educativas.