Transição Crucial na Disney: O Futuro do Império do Entretenimento em Jogo
Disney: Sucessão Define Futuro do Entretenimento

Transição Crucial na Disney: O Que Está em Jogo na Sucessão do Reino do Entretenimento

Pela segunda vez, Bob Iger entrega o comando da Disney a um substituto, colocando Josh D'Amaro no centro de um desafio monumental: reinventar o gigante do entretenimento para as próximas décadas. Esta sucessão não é apenas uma troca de liderança, mas um momento decisivo que moldará o futuro de uma empresa que dominou o imaginário global por quase um século.

O Legado de Iger e o Desafio de D'Amaro

Bob Iger, que assumiu como presidente do grupo em 2005, provou ser um mago da gestão, com aquisições marcantes como Marvel, Star Wars e Pixar. Sua saída em março abre caminho para Josh D'Amaro, atual chefe da divisão de experiências, que inclui parques temáticos e navios de cruzeiros. D'Amaro terá a tarefa de transportar o colosso da mídia para uma realidade onde a atenção do público migra do cinema e TV para streaming, redes sociais e inteligência artificial.

A Escolha do Conselho e as Apostas Estratégicas

O conselho de administração da Disney levou três anos para selecionar o novo presidente, com D'Amaro superando Dana Walden, chefe da divisão de mídia e entretenimento. A escolha reflete os números atuais: a divisão de parques e cruzeiros, sob D'Amaro, respondeu por mais de 60% do faturamento do grupo no ano passado, com crescimento de 6% no terceiro trimestre de 2025. Em contraste, outros negócios, incluindo TV e esportes, tiveram queda de 34%.

Alguns analistas expressam preocupação de que a Disney possa estar apostando demais no que já deu certo, como a expansão de parques e cruzeiros, e não o suficiente em novas tecnologias. Para equilibrar essa visão, Dana Walden foi promovida para o cargo de presidente de criação, fortalecendo a área de mídia e entretenimento.

Lições do Passado e Estratégias para o Futuro

A última tentativa de sucessão, em 2020, quando Bob Chapek assumiu, foi marcada por desafios, incluindo a pandemia de covid-19, e resultou no retorno de Iger. Desta vez, a cúpula da Disney parece ter uma estratégia mais clara: integrar a propriedade intelectual de conteúdos atraentes com produtos que lhes dão vida, como parques e experiências digitais.

Marcelo Flores, coordenador-geral do master em gestão de eventos, experiências e entretenimento da ESPM em São Paulo, destaca: "Trata-se de uma leitura mais ampla do entretenimento: filmes e streaming precisam ser pensados como motores criativos que, além do próprio negócio, retroalimentam toda a cadeia de valor da marca Disney."

Investimentos em Tecnologia e Inovação

A Disney já está fazendo apostas ousadas para o futuro. No final do ano passado, o grupo investiu 1 bilhão de dólares na OpenAI para desenvolver serviços de vídeos personalizados com personagens da Disney. Além disso, colocou 1,5 bilhão de dólares na Epic Games para criar um universo online integrado ao Fortnite, inspirado em franquias como Marvel, Star Wars e Avatar.

Essas iniciativas visam não apenas competir com concorrentes como Netflix e YouTube, mas também criar novas formas de engajamento para os fãs, garantindo que o legado da Disney continue relevante em um mundo em rápida transformação.

Conclusão: Um Futuro que Honra o Passado

A sucessão na Disney prepara o futuro sem ignorar o passado. Com Josh D'Amaro à frente e uma equipe reforçada, a empresa busca equilibrar inovação tecnológica com a magia que a tornou um ícone global. O sucesso dessa transição será crucial para definir o destino do império do entretenimento nas próximas décadas.