BRB enfrenta urgência para reforçar capital após caso envolvendo Banco Master
O Banco de Brasília (BRB) está em uma corrida contra o relógio para apresentar ao Banco Central do Brasil, nesta sexta-feira, um plano de ação destinado a fortalecer seu balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões. Essa medida tornou-se premente após uma série de operações que geraram incertezas significativas sobre a qualidade dos ativos da instituição financeira.
Pressão aumenta após aquisição de carteiras do Banco Master
A situação do BRB ficou mais delicada depois que o banco gastou bilhões de reais, desde o final de 2024, na compra de carteiras de crédito do Banco Master. Posteriormente, revelou-se que essas mesmas carteiras haviam sido adquiridas anteriormente pelo Master por menos da metade do valor pago pelo BRB. Além disso, em um detalhe que agravou a controvérsia, o banco vendedor teria recebido o pagamento à vista do BRB sem sequer ter quitado integralmente a compra original desses créditos.
Esse episódio acionou alertas no mercado financeiro e acelerou as negociações com o regulador, visando evitar qualquer abalo na credibilidade do BRB e afastar riscos de desconfiança sistêmica no setor bancário.
Plano de ação e alternativas para recomposição de capital
Em um comunicado divulgado no fim de janeiro, o BRB listou três caminhos possíveis para recompor seu capital:
- Criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local.
- Contratação de um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos.
- Aporte direto dos controladores da instituição.
Essa última opção remete ao principal pilar de sustentação do banco: o Governo Federal, que detém 71,92% do capital do BRB. No entanto, qualquer medida que envolva recursos públicos precisará passar pela aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o que pode adicionar complexidade ao processo.
Impacto no sistema financeiro e exigências do Banco Central
Especialistas destacam que o fato de o BRB ter como controlador um ente público com patrimônio robusto reduz significativamente o risco de contágio ao sistema financeiro brasileiro. Em termos práticos, o governo distrital possui capacidade para socorrer a instituição, se necessário, o que oferece uma rede de segurança adicional.
Contudo, isso não diminui a urgência do reforço patrimonial. O Banco Central exige níveis rigorosos de capitalização para garantir a estabilidade do sistema bancário, e no caso do BRB, a operação com as carteiras do Master deteriorou a percepção de qualidade dos ativos, exigindo ações imediatas para restaurar a confiança.
Se o plano for aprovado pelo regulador, o BRB terá até seis meses para executá-lo, em um esforço contínuo para manter seus indicadores de solvência dentro dos padrões exigidos e assegurar a saúde financeira da instituição a longo prazo.