O Ibovespa, principal índice da B3, iniciou o pregão desta terça-feira (5) em alta, aos 185.962 pontos, impulsionado por um ambiente externo mais favorável e pela leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). O movimento de recuperação reflete o alívio gradual das tensões no Oriente Médio e a queda do petróleo, que renovam o apetite por risco entre os investidores.
Política monetária e balanços no foco
O Banco Central reduziu a Selic para 14,5% na última reunião e sinalizou que os próximos passos dependerão dos dados econômicos, mantendo uma postura cautelosa. A ata reforçou essa abordagem, com ênfase na evolução da inflação e nas incertezas externas. Enquanto isso, os investidores acompanham uma agenda intensa de balanços corporativos.
A Ambev (ABEV3) reportou lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no primeiro trimestre, alta de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Após o fechamento do mercado, serão divulgados os resultados de C&A (CEAB3), Copel (CPLE3), Iguatemi (IGTI11), Itaú (ITUB4), Prio (PRIO3), RD Saúde (RADL3) e Tim (TIMS3).
Ações e dólar
Os grandes bancos operavam em alta: Bradesco (BBDC4) subia 0,93%, Banco do Brasil (BBAS3) avançava 0,82%, Santander (SANB11) registrava alta de 0,74% e Itaú (ITUB4) ganhava 0,35%. O dólar comercial era negociado a R$ 4,95 por volta das 11h20.
Cenário internacional
Apesar da continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, os mercados mostravam sinais de alívio. O secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que o cessar-fogo segue em vigor, mesmo com episódios pontuais de confronto, enquanto os EUA buscam garantir a circulação de embarcações na região.
Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, destacou que o ambiente externo já apresenta uma leve retomada do apetite ao risco. “A gente inicia o dia com as bolsas dos Estados Unidos apontando para alta, com o S&P 500 subindo em torno de 0,4%, enquanto o dólar contra o real recua para a casa dos R$ 4,93. Essa dinâmica reflete uma melhora no apetite por risco, acompanhada de queda no preço do petróleo e leve recuo na curva de juros americana”, explicou.
Segundo ele, sinais de que embarcações voltaram a cruzar o Estreito de Ormuz, ainda que sob escolta, ajudam a reduzir parte das incertezas. “Isso indica que as tensões podem começar a se acomodar, o que favorece ativos de risco e mercados emergentes”, afirmou.
Com isso, o mercado local acompanha uma combinação de fatores – política monetária, resultados corporativos e cenário externo – que deve continuar ditando o ritmo dos ativos ao longo da semana.



