O governo dos Estados Unidos formalizou um significativo acordo de financiamento no valor de US$ 565 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 3 bilhões, com a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde. A informação foi divulgada pela própria empresa nesta quinta-feira, dia 5, marcando um passo importante nas relações econômicas bilaterais entre os dois países.
Detalhes do acordo e contexto estratégico
O tratado estabelecido não apenas garante o aporte financeiro substancial, mas também concede ao governo americano o direito de adquirir uma participação minoritária na companhia brasileira. Este movimento insere-se em um amplo pacote anunciado na última quarta-feira, dia 4, pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.
A iniciativa visa criar um bloco comercial preferencial para minerais críticos e definir preços mínimos, refletindo a intensificação dos esforços de Washington para diminuir o controle da China sobre materiais essenciais para a manufatura avançada. A estratégia americana busca diversificar as fontes de suprimento e fortalecer a segurança nacional em setores tecnológicos sensíveis.
Utilização dos recursos e expansão da produção
A Serra Verde utilizará o financiamento proveniente da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, conhecida pela sigla DFC, para refinanciar linhas de crédito em condições mais favoráveis. Além disso, os recursos serão direcionados para expandir a produção da empresa, conforme detalhado em comunicado oficial.
A mina da Serra Verde, que opera sob capital fechado, destaca-se por ser rica em terras raras pesadas, uma característica que a diferencia de muitos outros depósitos ocidentais. O produto extraído pela empresa apresenta elevada concentração de disprósio e térbio, dois minerais classificados como críticos, além de outros elementos de terras raras fundamentais para componentes de alta tecnologia.
Aplicações tecnológicas e importância econômica
Esses minerais são essenciais para uma variedade de setores estratégicos, incluindo:
- Automotivo, especialmente para veículos elétricos
- Médico, em equipamentos de diagnóstico e tratamento
- Energias renováveis, como turbinas eólicas e painéis solares
- Eletrônicos, em dispositivos móveis e computadores
- Robótica, para sistemas automatizados
- Defesa e aeroespacial, em equipamentos militares e satélites
A empresa iniciou sua produção comercial no início de 2024, localizada em Minaçu, no Estado de Goiás. Até o momento, ainda não atingiu sua capacidade total de produção, que está projetada para alcançar cerca de 6.500 toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2027.
Estrutura de propriedade e perspectivas futuras
A Serra Verde é propriedade de grupos de private equity, incluindo Denham Capital, Energy and Minerals Group e Vision Blue. Este último é liderado por Mick Davis, ex-diretor da Xstrata, trazendo experiência significativa ao empreendimento.
Este acordo representa um marco nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, potencializando a posição brasileira no mercado global de minerais críticos. A parceria pode gerar impactos positivos na economia regional de Goiás, criando empregos e impulsionando o desenvolvimento tecnológico nacional.