Energia limpa foi motor decisivo para crescimento chinês em 2025
O setor de energia limpa desempenhou um papel fundamental no crescimento econômico da China durante o ano de 2025, respondendo por mais de um terço da expansão do Produto Interno Bruto do país. Segundo uma análise detalhada publicada pelo site especializado Carbon Brief, as tecnologias verdes movimentaram o equivalente a impressionantes 15,4 trilhões de yuans, aproximadamente US$ 2,1 trilhões, o que corresponde a 11,4% do PIB chinês.
Impacto econômico comparável a uma grande economia mundial
Se considerados como uma economia independente, os segmentos de energia limpa da China já figurariam como a oitava maior economia do mundo. Esse peso foi decisivo para que o país atingisse sua meta oficial de crescimento em torno de 5%. Sem a contribuição desses setores, o PIB teria avançado apenas 3,5% em 2025, conforme revela o estudo.
O resultado reforça a centralidade da transição energética na estratégia econômica chinesa, especialmente em um ano marcado por desafios significativos no mercado imobiliário, consumo interno fraco e diversas pressões externas. O desempenho confirma uma tendência observada por organismos internacionais como a Agência Internacional de Energia e a BloombergNEF, que vêm apontando a China como o principal polo global de investimentos em tecnologias de baixo carbono.
Veículos elétricos e baterias lideram o crescimento verde
Em 2025, os principais vetores de crescimento dentro da economia limpa foram os veículos elétricos e as baterias, responsáveis por 44% do impacto econômico do setor e por mais da metade de seu crescimento anual. No ano anterior, o protagonismo havia sido dividido entre veículos elétricos e energia solar.
O segundo maior grupo foi o de geração, transmissão e armazenamento de energia limpa, que respondeu por 40% da contribuição ao PIB e 30% da expansão do setor. Dentro desse segmento, os maiores impulsos vieram do aumento dos investimentos em capacidade instalada de energia solar e eólica, da expansão da geração efetiva dessas fontes e das exportações de equipamentos e insumos.
China consolida liderança global em exportações verdes
A China consolidou-se como o maior exportador mundial de painéis solares, turbinas eólicas e baterias, dominando cadeias produtivas estratégicas da transição energética global. Esse avanço, no entanto, tem alimentado disputas comerciais com Estados Unidos e União Europeia, que acusam o país de subsídios excessivos e práticas que distorcem a concorrência.
Sinais de alerta no setor solar preocupam analistas
Apesar do desempenho robusto geral, o estudo aponta sinais de esgotamento, sobretudo no setor solar. O investimento em cadeias produtivas de painéis solares caiu pelo segundo ano consecutivo, após ter sido um dos principais motores de crescimento entre 2022 e 2023.
O recuo ocorre em meio aos esforços do governo chinês para conter a sobrecapacidade industrial e a competição considerada irracional por preços. A situação é agravada por um novo sistema de precificação da eletricidade renovável, que introduz incertezas para investidores, e por metas federais de expansão da energia limpa que ficaram abaixo do ritmo atual de crescimento.
No segundo semestre de 2025, houve queda tanto nos investimentos em geração solar quanto na manufatura de equipamentos. Outro fator de risco é a forte redução nos preços das tecnologias limpas. Embora isso facilite a adoção global dessas soluções, o efeito estatístico é uma revisão para baixo da contribuição real do setor ao PIB, quando os dados são ajustados pela deflação.
Aposta estratégica enfrenta riscos globais
Mesmo com os obstáculos identificados, o volume de investimentos, da ordem de centenas de bilhões de dólares, evidencia uma aposta estratégica da China na continuidade da transição energética global. Analistas observam que o peso econômico do setor cria incentivos políticos para manter o ritmo de expansão, ainda que o mercado doméstico desacelere.
Uma eventual retração interna, porém, pode intensificar a pressão por exportações, aprofundando tensões comerciais e dificultando os esforços para controlar a sobrecapacidade industrial. Relatórios recentes da OMC e da Comissão Europeia já alertam para o risco de escalada de disputas envolvendo veículos elétricos e equipamentos de energia renovável chineses.
O futuro do setor também dependerá das decisões de governos provinciais e de estatais, que têm margem significativa para implementar os novos mercados de eletricidade e os sistemas de contratação de energia renovável. A publicação dos novos planos quinquenais, prevista para este ano, será decisiva para indicar se Pequim pretende sustentar o atual ciclo de crescimento verde ou iniciar um ajuste mais profundo.
O levantamento foi elaborado por Lauri Myllyvirta e Belinda Schaepe, do Centre for Research on Energy and Clean Air, com contribuição de analistas especializados em política energética chinesa.