Alga 'gim' sul-coreana atinge preços históricos com expansão global
A Coreia do Sul consolida sua posição como maior produtora e exportadora mundial de 'gim', a tradicional alga marinha seca que se apresenta em folhas quadradas, pretas e crocantes. Este alimento básico, presente diariamente nas mesas coreanas, enfrenta uma transformação significativa: enquanto sua popularidade internacional dispara, os preços no mercado doméstico alcançam patamares sem precedentes, gerando preocupação entre os consumidores locais.
Recorde nas exportações e impacto nos preços internos
Segundo dados do Korea Maritime Institute (KMI), as exportações sul-coreanas de algas marinhas secas atingiram a marca histórica de US$ 1,13 bilhão em 2025, equivalente a aproximadamente R$ 5,65 bilhões. Este crescimento sustentado abastece mercados na Ásia, América do Norte e Europa, consolidando o produto como um verdadeiro 'semicondutor preto' da economia nacional, em referência à forte atuação do país no setor tecnológico.
Contudo, o aumento da demanda externa exerce pressão direta sobre os custos internos. Lee Hyang-ran, vendedora com 47 anos de experiência em uma barraca no centro de Seul, testemunha a mudança: 'No passado, estrangeiros achavam que coreanos comiam algo estranho, parecido com papel preto. Agora, todos vêm aqui comprar'. Ela revela que o preço por folha, que era cerca de 100 won (R$ 0,30) em 2024, ultrapassou 150 won (R$ 0,55) no mês passado, um recorde histórico. Produtos premium chegam a custar 350 won por folha (cerca de R$ 1,30).
Reação dos consumidores e desafios da indústria
Para consumidores como Kim Jaela, que costuma adquirir cerca de 500 folhas de uma vez, o encarecimento representa um desafio. 'Felizmente, consigo aguentar mais algumas semanas com dois pacotes, mas se os preços subirem mais, provavelmente não vou repor', afirma ela, que faz compras online e monitora valores pelo celular. A sensibilidade ao preço é um fator crucial, pois o 'gim' sempre foi associado à acessibilidade na Coreia do Sul.
Kim Namin, administrador de uma fábrica familiar de processamento em Wando, destaca que a produção não consegue acompanhar a demanda global. 'Não há fábricas de 'gim' suficientes', explica, acrescentando que a empresa considera expandir operações. A maior parte da produção nos últimos cinco anos tem sido destinada à exportação, o que intensifica a pressão sobre os preços domésticos.
Fatores por trás da valorização e medidas de contenção
Especialistas apontam múltiplos motivos para a alta:
- Crescimento da demanda internacional, impulsionado pela popularidade da cultura coreana (K-pop e K-dramas);
- Inflação geral e aumento dos custos de mão de obra;
- Queda na produção de outros países.
Lee Eunhee, professora de estudos do consumidor da Inha University, ressalta: 'Para atender à demanda externa, os preços no mercado interno estão sendo pressionados para cima'. Em resposta, autoridades e empresas buscam soluções. O Ministério dos Oceanos e da Pesca monitora a situação para estabilizar preços, enquanto companhias como a Pulmone planejam centros de pesquisa para permitir colheita durante todo o ano.
Popularidade global e perspectivas futuras
A expansão do 'gim' reflete o apetite mundial por produtos sul-coreanos. Exemplos como o gimbap da rede Trader Joe's nos EUA, que viralizou e esgotou estoques em 2023, ilustram este fenômeno. Turistas como Miki, japonesa de 22 anos, descobrem o alimento através de dramas coreanos, enquanto Viola, visitante de 60 anos de Nova York, o consome como lanche saudável, comparando-o a batatas fritas.
De volta ao mercado de Seul, Lee Hyang-ran comemora: 'O 'gim' está vendendo como água, especialmente o usado para fazer gimbap. Fico feliz que o 'gim' coreano esteja ficando popular'. Apesar dos desafios, a trajetória do produto simboliza a crescente influência cultural e econômica da Coreia do Sul no cenário global.