Itapetininga (SP) registra 237 famílias sem moradia fixa, com números oscilando após pico
237 famílias sem moradia em Itapetininga (SP) após pico

Itapetininga (SP) enfrenta oscilação no número de famílias em situação de rua após pico registrado em 2022

Atualmente, 237 famílias não possuem moradia fixa e vivem nas ruas de Itapetininga, no interior de São Paulo, conforme dados da Secretaria de Avaliação de Gestão da Informação e Cadastro Único (Decau). Esse número representa uma redução de 7,7% em relação ao fim de 2023, quando o município contabilizava 257 famílias em situação de rua.

Evolução histórica do problema

O painel do Decau revela que a situação começou a se agravar em 2017, quando aproximadamente 20 famílias estavam sem moradia na cidade. Ao final daquele ano, o total já havia saltado para 93 famílias cadastradas no CadÚnico. A escalada continuou e, no início de 2020, o número chegou a 253 famílias registradas.

O pico foi atingido em julho de 2022, com 306 famílias em situação de rua. Desde então, os números têm apresentado oscilações, alternando períodos de queda e de alta, sem uma tendência clara de resolução definitiva.

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Contraste entre imóveis vazios e falta de moradia

Um dado que chama atenção é a existência de 12.148 imóveis particulares desocupados em Itapetininga. Isso significa que, em média, há 51 imóveis vazios para cada família em situação de rua no município. Em Tatuí (SP), cidade vizinha, a situação também é preocupante: existem cerca de 10 mil habitações particulares desocupadas, enquanto 165 famílias vivem nas ruas.

Análise de especialista sobre causas e soluções

A cientista social e mestre em estudos culturais Thais Maria Souto Vieira avalia que a situação das pessoas em situação de rua é resultado de um fenômeno multicausal, marcado por uma sequência de exclusões sociais. Segundo ela, a falta de acesso a moradia, trabalho, educação, estrutura familiar e serviços de saúde está entre os principais fatores que levam indivíduos e famílias a viverem nas ruas.

"É uma situação que deve ser vista como provisória, mas que, muitas vezes, acaba se estendendo por anos", explica a pesquisadora. Ela destaca ainda o caráter migratório e transitório dessa população, especialmente em cidades do interior, onde a presença de pessoas em situação de rua costuma chamar mais atenção e intensificar estigmas.

Thais Vieira ressalta que discursos que afirmam que pessoas em situação de rua 'gostam' de viver nessa condição são perigosos, pois reforçam estereótipos e invisibilizam a complexidade do problema. "O 'querer' do indivíduo, muitas vezes, tem a ver com o rompimento de vínculos dele dentro de uma estrutura social e familiar que o sustentava", analisa.

Programas habitacionais em andamento

A Prefeitura de Itapetininga anunciou recentemente a abertura de inscrições para 248 moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1, destinadas a famílias com renda mensal bruta de até R$ 2.850. A iniciativa conta com parceria da prefeitura, do governo do estado, por meio do programa Casa Paulista, e da Caixa Econômica Federal.

As obras já foram iniciadas e integram o Loteamento Nova Belo Horizonte. O empreendimento habitacional mais recente entregue no município foi o Residencial Copacabana, inaugurado em dezembro de 2025, com 437 unidades, também viabilizado por meio de programas federal e estadual.

Serviços de acolhimento e assistência

Segundo a Prefeitura de Itapetininga, das 237 pessoas em situação de rua que vivem no município, cerca de 65 são acompanhadas pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). A administração municipal mantém convênio com a Associação Novo Tempo, por meio da qual mais de mil pessoas em situação migratória ou de rua foram encaminhadas a familiares ou às cidades de origem após receberem atendimento no Guichê Social, instalado na Estação Rodoviária.

O município também conta com o serviço de Casa de Passagem, que oferece:

  • Alimentação
  • Higiene
  • Acolhimento institucional
  • Atendimento psicossocial
  • Pernoite

Além disso, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) realiza:

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  1. Acolhimento e atendimento psicossocial
  2. Entrega de kits de higiene
  3. Apoio na regularização de documentos
  4. Ações como blitz social
  5. Identificação e cadastro das pessoas em situação de rua

Em Tatuí, a prefeitura estima que haja 29 pessoas em situação de rua. Para atender essa população, o município realiza abordagem social por meio da equipe do Creas de segunda a sexta-feira, oferece acolhimento na Casa de Apoio aos Irmãos de Rua São José e acompanhamento em saúde pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

Contexto nacional e reflexões

A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema "Fraternidade e Moradia" e como lema "Ele veio morar entre nós". Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a iniciativa chega à 62ª edição propondo uma reflexão sobre a moradia como direito fundamental, à luz da fé cristã e do compromisso com a solidariedade.

A campanha prevê a realização de ações como analisar a realidade da moradia das pessoas mais pobres, identificar como os governantes se preocupam com as pessoas sem moradia digna, e entender por que a moradia é um direito de todas as pessoas e não algo que se tem porque merece.

A pesquisadora Thais Vieira finaliza destacando que "as políticas públicas precisam prever e incluir estes cidadãos no resgate da dignidade humana", seja ofertando refeições, moradia ou espaços terapêuticos onde possam trabalhar as diversas questões que envolvem a dinâmica singular da vida na rua.