Poupança registra saída líquida de R$ 23,5 bilhões em janeiro, segundo BC
Poupança tem saída de R$ 23,5 bi em janeiro, diz BC

O saldo da caderneta de poupança apresentou uma queda significativa no mês de janeiro, com um registro de mais saques do que depósitos, segundo informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro de 2026. As retiradas líquidas totalizaram R$ 23,5 bilhões, evidenciando uma tendência de esvaziamento desse tipo de aplicação financeira.

Dados detalhados das movimentações

De acordo com o relatório oficial, em janeiro foram aplicados R$ 331,2 bilhões na poupança, enquanto os saques atingiram a cifra de R$ 354,7 bilhões. Além disso, os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,4 bilhões, resultando em um saldo total que ultrapassa ligeiramente a marca de R$ 1 trilhão.

Contexto histórico e comparações

Nos últimos anos, a caderneta de poupança vem enfrentando um cenário desafiador, com saques consistentemente superando os depósitos. Em 2023, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões, seguidas por R$ 15,5 bilhões em 2024. No ano passado, especificamente, o saldo negativo acumulado chegou a impressionantes R$ 85,6 bilhões, reforçando a persistência desse fenômeno.

Fatores econômicos por trás das saídas

Entre as principais razões para essa tendência de saques está a manutenção da taxa Selic, a taxa básica de juros, em patamares elevados. Com a Selic fixada em 15% ao ano desde julho do ano passado, após um ciclo de sete aumentos consecutivos, muitos investidores têm buscado alternativas com melhor desempenho, como títulos de renda fixa e outros produtos financeiros.

O Comitê de Política Monetária, conhecido como Copom, interrompeu o ciclo de alta dos juros e tem mantido a taxa estável, com o objetivo claro de controlar a inflação e garantir que a meta de 3% seja alcançada. Quando o Copom eleva a taxa básica, a intenção é conter a demanda aquecida, o que acaba encarecendo o crédito e, paradoxalmente, estimula a poupança, embora os dados recentes mostrem um movimento contrário.

Impacto da inflação e perspectivas futuras

Em dezembro, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, registrou alta de 0,33%, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas. Esse resultado elevou o acumulado do IPCA para 4,26% em 2025, acima da meta estabelecida.

Na ata da última reunião do Copom, o Banco Central confirmou que iniciará a redução dos juros no próximo encontro, marcado para março. No entanto, a autarquia não especificou a magnitude do corte e deixou claro que os juros permanecerão em níveis restritivos, o que pode continuar influenciando as decisões dos poupadores.

Essa situação reflete um momento delicado para a economia brasileira, onde a busca por rentabilidade e a luta contra a inflação moldam o comportamento dos investidores e a saúde financeira da poupança tradicional.