O Banco Central divulgou nesta sexta-feira (6) um dado preocupante para os investidores brasileiros: as retiradas nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em impressionantes R$ 23,5 bilhões no mês de janeiro. Esse movimento significativo de saída de recursos reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais que impactam diretamente o bolso das famílias.
Números detalhados do mês
De acordo com o relatório da instituição, os depósitos totais na poupança somaram R$ 331,23 bilhões em janeiro. No entanto, as retiradas alcançaram um valor ainda maior, totalizando R$ 354,74 bilhões. Essa diferença negativa de R$ 23,5 bilhões resultou em uma queda no estoque total de valores depositados, que é o volume aplicado pelos poupadores.
Queda no estoque total
Em dezembro do ano anterior, o estoque da poupança estava em R$ 1,02 trilhão. Com as retiradas expressivas de janeiro, esse montante recuou para R$ 1 trilhão no final do mês passado, marcando uma redução considerável em um curto período de tempo.
Movimento recorrente no início do ano
A evasão de valores da poupança em volumes elevados durante o mês de janeiro é um fenômeno recorrente, observado também nos anos de 2023, 2024 e agora em 2025. Esse padrão se deve, em grande parte, aos gastos tradicionais que marcam o início de cada ano.
Entre as despesas mais comuns que motivam essas retiradas, destacam-se:
- Matrícula e material escolar para crianças e adolescentes.
- Pagamento de impostos como o IPVA e o IPTU em diversos municípios.
- Quitações de compras de Natal que foram parceladas no final do ano anterior.
- Viagens de férias, aproveitando o período de recesso.
Contexto econômico desfavorável
Além dos gastos sazonais, o Banco Central apontou que a inadimplência bancária fechou o ano passado em níveis recordes, enquanto o endividamento das famílias brasileiras permanece elevado. Esse cenário é agravado pelo fato de os juros básicos estarem no maior patamar em cerca de 20 anos, pressionando ainda mais as finanças domésticas.
Baixa atratividade da poupança
Paralelamente, a caderneta de poupança tem demonstrado pouca competitividade quando comparada a outras aplicações financeiras disponíveis no mercado. Investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papéis de empresas e aplicações vinculadas ao CDI, por exemplo, têm apresentado desempenhos superiores.
Até mesmo investimentos mais arriscados, como os de renda variável, mostraram uma recuperação expressiva em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo disparou 34%, registrando o maior avanço anual desde 2016.
Regras que limitam o rendimento
Com as regras vigentes, o rendimento da poupança é limitado por mecanismos específicos. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento mensal da aplicação fica restrito a 0,5%, acrescido da variação da taxa referencial (TR), que é calculada com base na média ponderada dos títulos públicos prefixados.
Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano, um nível significativamente acima do limite que ativa a regra de rendimento reduzido da poupança. Essa disparidade contribui para que muitos investidores busquem alternativas mais rentáveis, exacerbando a saída de recursos da caderneta.
Em resumo, a combinação de gastos sazonais, um contexto econômico desafiador e a baixa atratividade da poupança em relação a outras aplicações explica o expressivo volume de retiradas registrado em janeiro, reforçando a necessidade de os poupadores avaliarem cuidadosamente suas opções de investimento.