Os Estados Unidos possuem sistemas de pagamentos instantâneos semelhantes ao Pix brasileiro, embora estruturados de forma diferente e mais fragmentada. O tema voltou ao centro das discussões após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmar que levará ao presidente Donald Trump esclarecimentos sobre o funcionamento do Pix, diante de pressões de setores americanos que alegam que o modelo brasileiro favoreceria uma infraestrutura pública em detrimento de empresas privadas estrangeiras.
Contexto da polêmica
A polêmica ganhou força depois que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) voltou a citar o Pix em relatórios comerciais e investigações sobre possíveis barreiras a empresas americanas de pagamentos digitais, como bandeiras de cartão e big techs financeiras. O governo brasileiro rejeita essa interpretação e sustenta que o Pix é uma ferramenta de modernização financeira comparável a mecanismos já existentes no próprio sistema americano.
Principais sistemas de pagamento instantâneo nos EUA
Entre os principais instrumentos dos EUA está o FedNow, lançado em julho de 2023 pelo Federal Reserve, o banco central americano. O sistema permite liquidação de pagamentos em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana, entre instituições financeiras participantes, oferecendo uma estrutura de transferência instantânea semelhante à do Pix. Além dele, o mercado americano conta com o RTP (Real-Time Payments), rede privada criada em 2017 pela The Clearing House, além de plataformas como Zelle, Venmo e PayPal, amplamente usadas para transferências digitais.
Diferenças estruturais
A principal diferença em relação ao Brasil está na governança. O Pix foi desenvolvido, regulado e operado pelo Banco Central, com adesão obrigatória para grandes instituições e interoperabilidade nacional padronizada. Isso permitiu rápida expansão, maior uniformidade operacional e forte inclusão financeira. Nos Estados Unidos, a adesão ao FedNow é voluntária, enquanto diferentes operadores coexistem em uma estrutura descentralizada. Como resultado, a experiência do usuário varia conforme banco ou plataforma utilizada.
Fragmentação vs. unificação
Na prática, embora os EUA já disponham de tecnologia semelhante para pagamentos instantâneos, o sistema americano permanece mais pulverizado, enquanto o brasileiro se consolidou como infraestrutura pública unificada. Essa diferença tem implicações comerciais e regulatórias, especialmente no contexto das queixas americanas sobre supostas barreiras à concorrência.
O governo brasileiro defende que o Pix é um modelo de sucesso em inclusão financeira e eficiência, e que não há discriminação contra empresas estrangeiras. O debate, no entanto, reflete as tensões entre modelos de pagamento públicos e privados em diferentes países.



