Ibovespa cai com foco em dados fiscais e balanços; dívida/PIB alta preocupa
Ibovespa em queda com foco fiscal e balanços; dívida preocupa

Ibovespa opera em queda em meio a dados fiscais e temporada de balanços

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, registra uma queda nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, com o mercado financeiro atento a dois fatores principais: os dados fiscais do governo e a temporada de balanços corporativos. Por volta das 11h15, o indicador recuava 0,15%, negociando a 181.850,75 pontos, enquanto o dólar apresentava uma desvalorização de 1,09%, cotado a 5,215 reais.

Dados fiscais mostram cumprimento de meta, mas dívida/PIB preocupa

A agenda econômica local é dominada pelo Balanço macrofiscal de 2025 e as perspectivas para 2026, divulgados pelo Ministério da Fazenda. O governo projeta que a economia brasileira deve crescer 2,3% em 2026, uma revisão em relação à previsão anterior de 2,4% feita em novembro. Além disso, a inflação medida pelo IPCA deve cair de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026, influenciada por fatores como:

  • Desvalorização recente do dólar
  • Excesso de oferta global de bens e combustíveis
  • Efeitos defasados da política monetária contracionista

Em relação ao crescimento do PIB em 2025, o governo revisou suas expectativas para 2,3%, ante 2,2% projetados anteriormente. Se confirmado, esse resultado representará uma forte desaceleração em comparação com 2024, que registrou um crescimento de 3,4%. Os dados oficiais do PIB de 2025 serão divulgados pelo IBGE em março.

O governo afirma que o processo de consolidação fiscal iniciado em 2024 deve resultar no primeiro superávit primário desde 2013. Para 2026, a meta oficial é de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a 34,5 bilhões de reais, após compensações previstas na legislação. Em 2025, o déficit primário ficou em 13 bilhões de reais, ou 0,10% do PIB, dentro do intervalo de tolerância do arcabouço fiscal.

No entanto, um ponto que preocupa o mercado é a dívida bruta do governo geral, que encerrou 2025 em 78,7% do PIB, pressionada principalmente pelo elevado custo dos juros. Embora o crescimento econômico tenha ajudado a conter o aumento da dívida, essa relação elevada permanece como um fator de risco para os investidores.

Balanços corporativos frustram expectativas e pressionam o índice

No cenário corporativo, o mercado reage ao balanço do Bradesco referente ao quarto trimestre de 2025. A companhia reportou um lucro líquido recorrente de 6,51 bilhões de reais, representando uma alta de 20,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar do bom resultado, com avanço da rentabilidade e crescimento da carteira, as projeções para 2026 frustraram analistas.

Uma das principais decepções está relacionada ao crescimento da carteira de crédito, que deve avançar entre 8% e 10% em 2026, enquanto em 2025 o crescimento foi de 11%. Essa desaceleração projetada simboliza um ritmo mais moderado para o banco.

Para o UBS BB, as projeções do Bradesco foram tão frustrantes que a instituição precisou recalcular suas estimativas de lucro. O UBS estimava um lucro de 29 bilhões de reais para o banco em 2026, mas o guidance divulgado pela companhia indica que o lucro deve ficar em 27,5 bilhões de reais. Essa percepção de menor lucratividade puxou as ações do Bradesco para baixo, com uma queda de 4,4% no pregão, contribuindo para a pressão sobre o Ibovespa.

No dia anterior, o Ibovespa havia fechado em leve alta de 0,18%. No acumulado do ano, o indicador registra uma valorização de 13,2%, demonstrando a volatilidade do mercado em meio aos dados macroeconômicos e corporativos.