Ministério da Fazenda projeta IPCA menor em 2026 e vê espaço para queda de juros
Fazenda projeta IPCA menor e vê espaço para queda de juros

Ministério da Fazenda projeta IPCA menor em 2026 e vê espaço para queda de juros

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (SPE) divulgou projeções que indicam um cenário de inflação mais baixa para o ano de 2026, abrindo espaço para uma possível redução na taxa de juros básicos, a Selic. Segundo o Balanço Macrofiscal 2025 e perspectivas 2026, a expectativa é de um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 3,6%, valor que, embora acima do centro da meta oficial de 3%, representa um alívio significativo em comparação com os 4,26% registrados em 2025.

Expectativa de desinflação e redução de juros

No documento, a SPE anotou que a expectativa é de estabilidade no ritmo de crescimento econômico e de continuidade do processo de desinflação, o que deve possibilitar reduções nos juros básicos. Esse alívio nos preços é atribuído a fatores como o excesso de oferta global de bens e combustíveis, os efeitos defasados da política monetária e o recente enfraquecimento do dólar, impactando principalmente a inflação de serviços e bens industriais.

Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e um dos nomes sugeridos pelo ministro Fernando Haddad para a diretoria do Banco Central, comentou sobre as projeções. Em entrevista, ele afirmou sentir-se lisonjeado com a indicação, mas ressaltou que ainda não recebeu um convite formal para o cargo, embora aceitasse se fosse convidado.

Pressões moderadas em alimentos e desafios climáticos

Apesar do cenário geral favorável, a SPE alerta para pressões moderadas na inflação de alimentos ao longo de 2026. Eventos climáticos podem afetar os preços de alimentos in natura, e há expectativa de menor oferta de carne bovina devido à retenção de fêmeas no Brasil e nos Estados Unidos. Além disso, a produção de alguns semielaborados, como arroz, trigo e derivados, e produtos in natura, como tomate e batata, pode ser reduzida.

Mello destacou que a gestão da política econômica no período de 2023 a 2025 manteve a inflação em níveis baixos, mesmo com um crescimento econômico sustentado e um mercado de trabalho aquecido. Ele enfatizou que essa gestão conjunta, envolvendo políticas fiscal, monetária, de crédito e de rendas, gerou resultados que muitos consideravam impensáveis.

SPE versus Focus: precisão nas projeções

O secretário também comparou a precisão das projeções da SPE com as do boletim Focus, do Banco Central. Segundo ele, a SPE tem apresentado um erro médio menor do que o Focus desde 2023, tanto para o IPCA quanto para o Produto Interno Bruto (PIB). Em 2025, por exemplo, o erro absoluto médio da Fazenda foi de 0,6 em relação ao resultado da inflação, enquanto o Focus registrou um indicador de 1, servindo como um guia para ajustes nos modelos da secretaria.

Essas projeções reforçam a visão de que a economia brasileira pode experimentar um período de maior estabilidade de preços, com possíveis benefícios para os consumidores e investidores, embora desafios setoriais, como nos alimentos, exijam atenção contínua das autoridades.