Governo Lula projeta crescimento de 2,3% do PIB e inflação em queda para 2026
O Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, as previsões oficiais para a economia brasileira no ano corrente. Segundo o documento Balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026, o país deve registrar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,3%, mantendo o ritmo observado em 2025.
Inflação em desaceleração e ajuste fiscal em curso
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deve cair de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026. Essa redução é atribuída a fatores como a desvalorização recente do dólar, o excesso de oferta global de bens e combustíveis, e os efeitos defasados da política monetária contracionista implementada anteriormente.
O governo destaca que o processo de consolidação fiscal, iniciado em 2024, deve resultar no primeiro superávit primário desde 2013. Para 2026, a meta oficial é de um superávit de 0,25% do PIB, equivalente a aproximadamente 34,5 bilhões de reais, após compensações previstas na legislação.
Mudanças na composição setorial e mercado de trabalho
Embora o crescimento econômico mantenha um ritmo parecido com o do ano anterior, há uma mudança na composição setorial. O governo prevê uma forte desaceleração da agropecuária, após a safra recorde de 2025, que será compensada por uma maior expansão da indústria e dos serviços.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu no menor nível da série histórica, com rendimento real médio em patamar recorde. Isso ajudou a sustentar a massa salarial e o consumo das famílias, mesmo diante do encarecimento do crédito observado recentemente.
Dívida pública e perspectivas futuras
A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, pressionada principalmente pelo elevado custo dos juros. No entanto, o relatório aponta que o crescimento econômico tem sido um fator crucial para conter o aumento dessa dívida.
Em 2025, o déficit primário ficou em 13 bilhões de reais, ou 0,10% do PIB, dentro do intervalo de tolerância estabelecido pelo arcabouço fiscal. Esses números reforçam a trajetória de ajuste e estabilização econômica projetada pelo governo para os próximos anos.