Chuvas acima da média em Piracicaba devastam produção de hortaliças
O município de Piracicaba, no interior de São Paulo, enfrentou um janeiro com volume de chuvas significativamente acima do esperado, segundo dados do Posto Meteorológico da Esalq. A cidade acumulou impressionantes 307 milímetros de precipitação apenas no primeiro mês do ano, um cenário que tem causado sérios transtornos ao setor agrícola local.
Prejuízos alarmantes na colheita de verduras
Agricultores da região relatam perdas devastadoras na colheita, especialmente de verduras, com danos que alcançam quase 50% da produção total. Essas informações foram confirmadas por produtores rurais entrevistados pela EPTV, afiliada da Globo para Piracicaba e região. A situação é crítica e afeta diretamente a subsistência de muitas famílias que dependem da agricultura.
Expert explica o fenômeno da "podridão" das hortaliças
A agrometeorologista Ludmila Camparoto detalhou o problema em entrevista à equipe da EPTV. Ela afirmou que o aumento excessivo da umidade do solo, causado pelas chuvas intensas, favorece a chamada "podridão" das verduras. "O grande problema para as hortaliças é essa podridão, já que elas ficam muito próximas do solo. Com a elevação da umidade, ocorre o apodrecimento das raízes e das folhas, prejudicando a qualidade de maneira geral", explicou a especialista.
Segundo Ludmila, a mistura de água e terra acelera drasticamente o processo de apodrecimento, tornando as verduras impróprias para consumo em tempo recorde.
Histórico de produtores ilustra a gravidade da situação
Com décadas de experiência no campo, os produtores rurais Maurício e Lucimara Ferezini já perderam metade da produção de verduras em sua propriedade. Maurício descreve a situação com preocupação: "A vida útil normal delas é de 40, 50 dias. Agora, com 25, no máximo 30 dias, já tá toda pendurada e já queima o miolinho por causa do calor. Não tem o que aproveitar, quem vai querer comprar uma verdura queimada? Fica feia".
Para tentar minimizar os prejuízos, o casal adotou medidas emergenciais, como colocar plástico para proteger a produção. Lucimara complementa: "A gente corta, tira a pontinha, amarra, mas tem muita gente que reclama, que está muito amarelo. Mas não tem o que fazer com esse tempo". A frustração é palpável entre os agricultores, que veem seu trabalho sendo comprometido pelas condições climáticas adversas.
Previsão climática preocupante para os próximos meses
A perspectiva não é animadora. A previsão indica que as lavouras continuarão sofrendo com as chuvas até o início de março. Segundo a agrometeorologista Ludmila Camparoto, o período entre o final de fevereiro e o começo de março é particularmente crítico. "Entre o final de fevereiro e o início de março, a gente observa novamente uma condição de mais chuvas. Isso exige um ponto de atenção dos produtores, principalmente no planejamento da colheita e na preservação da qualidade das lavouras", alertou.
Ela enfatiza que produtores, comerciantes e consumidores precisam estar atentos e se planejarem para enfrentar esse período desafiador.
Contexto de eventos climáticos extremos na região
A região de Piracicaba iniciou fevereiro com alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para tempestades. As cidades da área já tinham avisos de temporais desde a última semana de janeiro, quando a previsão indicava a formação de um ciclone no litoral da Região Sudeste.
Esse sistema no Oceano Atlântico favorece a ocorrência de chuva em grandes volumes no estado de São Paulo, com risco de tempestades ao longo do dia. A cidade registrou estragos significativos entre os dias 29 e 30 de janeiro, incluindo um trágico incidente onde uma pessoa morreu após ser arrastada por uma enxurrada na Avenida 31 de Março em Piracicaba.
O cenário atual exige atenção redobrada das autoridades e da população, pois os impactos das chuvas vão além da agricultura, afetando também a segurança e a infraestrutura urbana.