Conflito no Oriente Médio ameaça economia agrícola de Rondônia
A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero) emitiu um alerta urgente nesta semana sobre os possíveis reflexos do conflito entre Irã e Estados Unidos na economia estadual. Segundo a entidade, a tensão geopolítica pode afetar diretamente tanto a importação de insumos essenciais para a produção agrícola quanto a exportação de grãos, colocando em risco a estabilidade do agronegócio local.
Dependência crítica da ureia iraniana
Um dos pontos de maior preocupação é a ureia, fertilizante sólido fundamental para a adubação de cobertura nas lavouras. Em 2025, o Brasil importou aproximadamente US$ 84 milhões em produtos iranianos, sendo que US$ 66,8 milhões corresponderam apenas à ureia. Rondônia desempenhou um papel central nesse comércio, respondendo por impressionantes 65% das importações nacionais.
O estado movimentou cerca de US$ 51 milhões em compras do Irã, das quais US$ 43,58 milhões foram destinados especificamente à aquisição de ureia. Essa dependência continuou acentuada no início de 2026, quando o Irã se consolidou como o terceiro principal parceiro de importação de Rondônia nos meses de janeiro e fevereiro.
Nesse período, a movimentação comercial alcançou US$ 22,48 milhões, com mais de 90% do total correspondendo à compra de ureia. Esses números evidenciam uma vulnerabilidade significativa da agricultura rondoniense às flutuações no fornecimento iraniano.
Exportações de milho também em risco
Além da importação de fertilizantes, o Irã representa um destino crucial para o milho produzido em Rondônia. Em 2025, aproximadamente 8% das exportações estaduais do grão tiveram o país como destino final. Contudo, o cenário se intensificou nos primeiros meses de 2026, quando o Irã passou a liderar as compras, adquirindo impressionantes 13 milhões de toneladas.
Esse volume representa mais de 60% do milho exportado por Rondônia no período, destacando a importância estratégica desse mercado para a economia agrícola local. Qualquer interrupção ou redução nas relações comerciais com o Irã poderia gerar sérios impactos na cadeia produtiva do estado.
Ministério da Agricultura classifica risco como elevadíssimo
Diante da crescente tensão internacional, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou a situação atual como de elevadíssimo risco para o agronegócio brasileiro. Em notas técnicas urgentes, a pasta expressou preocupação com um possível desabastecimento de fertilizantes e uma disparada nos preços internos já no segundo semestre.
Em Rondônia, a Fiero reforça o alerta e defende a implementação de medidas imediatas para reduzir a dependência do Irã. A entidade enfatiza que a diversificação de fornecedores é uma estratégia fundamental para garantir o funcionamento contínuo do campo e manter a competitividade das safras estaduais.
Busca por novos parceiros comerciais
Segundo a Federação das Indústrias, países como Venezuela, Bolívia, Rússia e Nigéria podem emergir como alternativas viáveis para suprir a demanda por ureia, atualmente atendida em grande parte pelo Irã. A expectativa é que a busca por novos parceiros comerciais ajude a manter a produção agrícola estável, mesmo em meio às incertezas do cenário internacional.
A diversificação das fontes de importação não apenas mitigaria os riscos associados ao conflito no Oriente Médio, mas também fortaleceria a resiliência da economia rondoniense frente a futuras crises geopolíticas. A Fiero continua monitorando de perto a situação e deve emitir novas orientações conforme a evolução dos eventos internacionais.



