Centro de São Paulo atinge 48 horas sem energia elétrica com cenário caótico
Moradores e comerciantes da região da Rua Augusta e de outros imóveis no Centro de São Paulo chegaram, nesta quinta-feira (5), a 48 horas sem energia elétrica, convivendo com prejuízos significativos, interrupção de serviços essenciais e vias públicas tomadas por geradores barulhentos. A situação crítica persiste desde que um apagão de grandes proporções atingiu a região na terça-feira (3), mergulhando milhares de pessoas na escuridão.
Impacto generalizado e números alarmantes
Segundo a Enel, empresa responsável pelo fornecimento de energia na capital paulista, mais de 30 mil imóveis chegaram a ficar sem luz no pico da ocorrência. O número de locais ainda afetados não foi atualizado oficialmente nesta quinta, mas a realidade nas ruas mostra um cenário preocupante. Bairros como Bela Vista, Consolação, Higienópolis, Vila Buarque e Santa Cecília continuam com equipamentos de emergência espalhados nas calçadas, entradas de prédios residenciais e pontos comerciais.
Parte desses geradores foi instalada pela própria concessionária, enquanto outros foram contratados de forma independente por moradores e lojistas desesperados para tentar reduzir os impactos do blecaute, que teve início por volta do meio-dia de terça-feira. Imagens exibidas pela TV Globo já haviam mostrado, desde a tarde de quarta-feira (4), dezenas de geradores funcionando simultaneamente na região, um cenário que se mantém inalterado nesta quinta.
Epicentro do problema e dificuldades técnicas
De acordo com funcionários da Enel que atuam no local, o epicentro do apagão foi identificado na Rua Paim, na região central da cidade. No início da tarde desta quinta-feira (5), a empresa conseguiu remover um disjuntor que era considerado um dos principais problemas na rede subterrânea da via. No entanto, segundo relatos dos técnicos, o maior desafio ainda está no cabeamento defeituoso que está sendo mapeado lentamente.
A concessionária continua sem previsão concreta para a normalização completa do serviço ou mesmo para a identificação da causa geral do apagão. A complexidade da situação é agravada pelo fato de que todo o circuito elétrico da região é subterrâneo, exigindo procedimentos técnicos específicos e demorados para localizar o ponto exato da falha.
Dois dias no escuro e instabilidade constante
Desde a madrugada de quarta-feira (4), moradores da área afetada relatam instabilidade constante no fornecimento de energia, com longos períodos completamente sem luz. Na manhã desta quinta (5), ainda havia ruas inteiras sem energia, conforme confirmado por comerciantes ouvidos pela reportagem. O boletim mais recente da Enel indicou que a interrupção começou na rede subterrânea que atende o entorno das avenidas 9 de Julho e Higienópolis.
A empresa justifica a demora nos reparos pela necessidade de identificação precisa do defeito em uma infraestrutura complexa e de difícil acesso. Enquanto isso, a população local enfrenta prejuízos financeiros, interrupção de atividades comerciais e desconforto no dia a dia.
Posicionamento oficial da Enel e medidas paliativas
A concessionária informou que o fornecimento de energia já foi restabelecido para a maior parte dos clientes, mas alertou que oscilações podem ocorrer durante a transferência definitiva para a rede elétrica principal. Como medida de contingência, a empresa reforça que os geradores continuam operando para garantir um abastecimento mínimo enquanto as equipes técnicas finalizam os reparos no sistema subterrâneo.
No entanto, a falta de uma previsão clara para a solução definitiva mantém moradores e comerciantes em estado de apreensão. O uso massivo de geradores, além do ruído e da poluição, representa apenas uma solução temporária para um problema que já completa dois dias e cujo fim ainda é incerto.