Governo de Roraima cria grupo técnico para analisar 'penduricalhos' após decisão do STF
Roraima cria grupo para analisar penduricalhos após STF

Roraima estabelece grupo técnico para investigar verbas de servidores após determinação do Supremo

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), formalizou através de decreto a criação de um grupo técnico especializado com a missão de analisar minuciosamente as verbas remuneratórias e indenizatórias destinadas aos servidores públicos do estado. Esta ação governamental surge como resposta direta a uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a revisão dos chamados "penduricalhos" — benefícios financeiros que potencialmente excedem o teto constitucional estabelecido para o funcionalismo público.

O decreto, publicado no Diário Oficial de Roraima (DOE-RR) no dia 19 de março, delineia com precisão as atribuições deste grupo. A equipe terá a responsabilidade primordial de realizar um levantamento exaustivo de todas as verbas pagas no âmbito da administração pública direta e indireta do estado, verificando criteriosamente se cada uma delas possui o devido respaldo legal.

Atribuições e prazos do grupo de trabalho

Conforme estabelecido no documento oficial, o grupo técnico terá funções específicas e um prazo definido para a conclusão de seus trabalhos. Entre suas principais incumbências estão:

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  • Identificar de forma clara todos os pagamentos que não tenham previsão expressa em lei aprovada pela Assembleia Legislativa do estado;
  • Sugerir ao Poder Executivo estadual a suspensão imediata desses valores considerados irregulares;
  • Elaborar um relatório detalhado e minucioso contendo informações como o nome específico de cada verba, seu valor exato, o critério de cálculo utilizado e o fundamento legal que a ampara.

O prazo estipulado para a conclusão completa de todas essas análises e a entrega do relatório final é até o dia 2 de abril de 2026, garantindo um período extenso para um trabalho meticuloso.

Contexto legal e composição da equipe

Esta iniciativa do governo roraimense está intrinsecamente ligada à decisão liminar do ministro Flávio Dino, que não apenas determinou a revisão dos pagamentos que possam ultrapassar o teto do funcionalismo — atualmente fixado em R$ 46,3 mil, equivalente ao salário dos ministros do STF — mas também proibiu expressamente a criação de novas leis ou atos administrativos que tentem garantir o pagamento desses "penduricalhos".

A equipe será coordenada pela Casa Civil do estado e contará com a participação de representantes qualificados da Secretaria de Gestão Estratégica e Administração (Segad), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Controladoria-Geral do Estado (Coger). É importante destacar que, segundo as disposições do decreto, os integrantes deste grupo não receberão qualquer tipo de remuneração extra pela sua participação nos trabalhos, assegurando a isenção necessária para a análise.

Com esta medida, o governo de Roraima demonstra aderência à determinação do STF, iniciando um verdadeiro "pente-fino" nas verbas pagas aos servidores estaduais. Caso sejam identificadas irregularidades significativas durante o processo de auditoria, os pagamentos em questão poderão ser suspensos através da emissão de novos decretos específicos, reforçando o compromisso com o controle dos gastos públicos e a observância estrita dos limites constitucionais.

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