Obras milionárias em Ribeirão Preto precisam ser refeitas após problemas com paralelepípedos
Obras de R$ 32 milhões em Ribeirão Preto precisam ser refeitas

Problemas persistentes exigem nova intervenção em avenida revitalizada

A Avenida Nove de Julho, em Ribeirão Preto, voltou a apresentar problemas graves com paralelepípedos soltos pela segunda vez, apenas cerca de um ano após a conclusão de um projeto de revitalização que consumiu R$ 32,4 milhões dos cofres públicos. O trecho do cruzamento com a Rua Floriano Peixoto, que dá acesso à Avenida Independência, precisou ser interditado novamente, enquanto as obras de manutenção foram iniciadas na quarta-feira (17).

Secretário admite possibilidade de refazer todo o serviço

De acordo com o secretário de Obras da prefeitura, Walter Telli, a administração municipal segue buscando uma solução menos invasiva, mas não descarta a necessidade de refazer completamente o serviço, caso o problema persista. "É bastante complicado, a gente tem conversado com outros órgãos da administração, com a empresa que faz a manutenção, a obra está na garantia, mas a gente está caminhando para buscar uma solução mais definitiva", afirmou Telli.

O secretário explicou que as opções são limitadas: "Isso vai trazer consequências aqui para a região, porque ou a gente coloca um rejunte que realmente dê liga nas pedras e as impeça de se soltarem, ou a gente vai ter que retirar e reassentar novamente de uma forma mais unida, mais próxima uma pedra da outra".

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Conflito sobre causas dos problemas

Walter Telli atribui os principais problemas ao assentamento e ao vão das pedras, que seguiram normas do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de Ribeirão Preto (Conppac/RP). Ele afirma que a mistura de areia e pó de pedra utilizada não é suficiente para fixar os paralelepípedos adequadamente.

"O vão entre as pedras é um vão maior do que o padrão exigido e, como rejunte, nós só podemos colocar pó de pedra e areia por uma decisão do Conppac, que não permite impermeabilização das pedras", explicou o secretário. "Então, sempre que chove, a água lava esse pó de pedra e essa areia e as pedras se soltam."

Entretanto, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, Cláudio Baúso, membro do Conppac, defende que o método de assentamento é o correto e atribui os problemas à execução da obra. "É a maneira correta de assentamento, o secretário erra quando diz que o Conppac vai determinar o espaçamento", afirmou Baúso. "Eles mandam uma empresa que não tem competência de fazer o serviço e depois tem que achar um culpado."

Problemas de financiamento e execução

Além das falhas no pavimento, o secretário revelou que o projeto não foi totalmente concluído por falta de repasses do governo de São Paulo, embora, na época da reinauguração, a obra tenha sido considerada adequada e aprovada por ele mesmo.

"Não conseguimos concluir a drenagem da Rua Marcondes Salgado por um erro da licitação", explicou Telli. "O governo do estado suspendeu o repasse de recursos e, infelizmente, da ordem mais ou menos de R$ 9 milhões a R$ 10 milhões. E esse dinheiro era imprescindível pra concluirmos a tubulação da Marcondes Salgado, afetando também a drenagem aqui na região da 9 de julho."

Detalhes do projeto milionário

O projeto de revitalização teve custo total de R$ 32.411.776,19 e incluiu diversos serviços:

  • Reforço da pavimentação para suportar tráfego de ônibus e caminhões
  • Recolocação dos paralelepípedos
  • Reforma dos canteiros centrais
  • Implantação de corredor de ônibus
  • Instalação de novos sistemas de drenagem e galerias de águas pluviais

A revitalização foi concluída pela empresa Era-Técnica Engenharia Construções e Serviços Ltda., que assumiu o contrato após o rompimento com a primeira vencedora da licitação, em dezembro de 2023, por descumprimento do projeto original.

A situação atual representa um retrocesso significativo para uma obra que deveria trazer melhorias duradouras para uma das principais vias de Ribeirão Preto, levantando questões sobre a eficiência na aplicação de recursos públicos e a qualidade da execução de obras de infraestrutura urbana.

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