Alesp mantém gabinetes de ex-integrantes com gasto mensal de R$ 830 mil
Gasto de R$ 830 mil em gabinetes de ex-integrantes na Alesp

Alesp mantém estrutura exclusiva para ex-integrantes da Mesa Diretora com custo elevado

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), que possui um orçamento anual superior a R$ 1,5 bilhão, mantém uma estrutura específica e regulamentada destinada a ex-titulares da Mesa Diretora. Essa configuração gera um gasto mensal de aproximadamente R$ 830 mil em salários, conforme dados oficiais apurados pela TV Globo em dezembro de 2025. Enquanto todos os 94 deputados estaduais têm direito a gabinetes individuais com até 23 funcionários e cerca de R$ 48 mil mensais em reembolso de despesas administrativas, os ex-integrantes da Mesa Diretora contam com gabinetes extras, empregando 49 servidores no total.

Primeira-dama de Olímpia atua como assessora parlamentar

Entre os servidores que trabalham nesses gabinetes está Ana Cláudia Zuliani, primeira-dama de Olímpia (SP) e presidente do Fundo Social de Solidariedade (FSS) do município. Ela recebe um salário de R$ 29.928,31 para exercer o cargo de assessora especial parlamentar no gabinete do ex-presidente da Alesp, Carlão Pignatari (PSDB). Ana Cláudia é casada com o prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani (União Brasil). Em nota enviada à TV TEM, a Prefeitura de Olímpia negou qualquer irregularidade, afirmando que os cargos de primeira-dama e de presidente do Fundo Social têm caráter institucional e voluntário, sem remuneração ou carga horária formal, e que as atividades são compatíveis com suas funções na Alesp.

Beneficiários e salários variados na estrutura adicional

Atualmente, os beneficiários dessas estruturas extras são o ex-presidente Carlão Pignatari (PSDB), o ex-1º secretário Teonilio Barba (PT) e o ex-2º secretário Rogério Nogueira. Os salários dos cargos nesses gabinetes variam de R$ 4,8 mil até R$ 34,8 mil, valor pago aos chefes de gabinete. A Alesp justifica a manutenção desses gabinetes, regulamentados desde 1991 com atualizações em 2008 e 2023, como necessários para garantir a continuidade das atribuições, responsabilidades legais e institucionais inerentes aos cargos exercidos na Mesa Diretora, por tempo determinado.

Estrutura é única entre assembleias legislativas do país

A reportagem da TV Globo consultou as assembleias legislativas de todos os demais estados, além da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a Câmara Municipal de São Paulo e a Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Das 17 casas que responderam, nenhuma informou manter gabinetes ou cargos destinados a ex-integrantes da Mesa Diretora, tornando a Alesp uma exceção nacional. Apenas a Assembleia Legislativa do Pará relatou oferecer benefícios específicos a ex-presidentes, como segurança oficial e manutenção da assistência médica, pelo período correspondente ao mandato, mas não estruturas de gabinete semelhantes.

Justificativas dos gabinetes e respostas institucionais

O gabinete do ex-presidente Carlão Pignatari afirmou que a estrutura da ex-presidência atua como apoio auxiliar à atual Mesa Diretora, com atividades institucionais de apoio à Presidência da Casa. Já o gabinete do ex-1º secretário Teonilio Barba destacou que auxilia a atual Mesa Diretora e presta esclarecimentos sobre atos administrativos do período anterior, inclusive a órgãos externos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Rogério Nogueira, ex-2º secretário, explicou que o gabinete presta assessoramento transitório sobre expedientes administrativos da gestão passada e apoio às atividades de representação política. A Alesp reforçou que esses gabinetes possuem estrutura de pessoal inferior a de um gabinete parlamentar e não têm reembolso de custeio pela Casa.