Câmera flagra estouro de tubulação no Guandu; vazamento afeta 10 milhões no Rio
Estouro de tubulação no Guandu afeta 10 milhões no Rio

Uma câmera de segurança flagrou, com precisão de horário, o momento dramático do estouro de uma tubulação dentro da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O incidente ocorreu na última quinta-feira, dia 5, e representa apenas o primeiro de uma série de três problemas na rede de abastecimento hídrico da Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrados em uma única semana.

Sequência de rompimentos paralisa sistema

Logo após o estouro inicial no Guandu, ainda na quinta-feira, uma adutora se rompeu em Xerém, município de Duque de Caxias, agravando a situação. Para completar o cenário crítico, o complexo do Guandu voltou a apresentar vazamentos na sexta-feira, dia 6, mesmo após a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) ter informado o término dos reparos anteriores.

Impacto direto no abastecimento

Os sucessivos problemas na ETA Guandu forçaram a Cedae a reduzir drasticamente a produção de água, chegando a cortá-la pela metade. Essa medida emergencial impactou diretamente o fornecimento de água para aproximadamente 10 milhões de pessoas na Grande Rio, gerando incertezas e transtornos para a população.

José Ricardo Brito, diretor de Saneamento e Grande Operação de Guandu, confirmou publicamente que não há um prazo definido para a normalização da produção. "Ainda não conseguimos precisar o horário para a retomada do sistema porque as equipes estão em campo, terminando de fazer o reparo na adutora rompida", declarou o executivo, evidenciando a complexidade dos reparos.

Vídeo revela cenas de caos e destruição

O registro capturado pela câmera de segurança mostra, às 11h54 da última quinta-feira, um verdadeiro tsunami irrompendo dentro da ETA Guandu. A força da enxurrada foi tão intensa que ultrapassou os muros da estação e invadiu a movimentada Estrada Rio-São Paulo.

Cenas de desespero nas vias

No vídeo, é possível observar uma moto que seguia no sentido Rio sendo completamente engolida pelas águas revoltas. Outros veículos, em tentativa desesperada de escapar, param abruptamente ou realizam manobras arriscadas para desviar da correnteza. Vizinhos e curiosos correm em direção ao local para testemunhar o incidente, enquanto a via rapidamente se transforma em um rio de águas turbulentas.

Após aproximadamente um minuto de caos, a vazão parece começar a diminuir, mas os estragos já estavam consolidados. Imagens subsequentes mostram carros dando voltas bruscas, fugindo da enxurrada que tomou conta da pista.

Cronologia dos eventos na semana

A sequência de estouros e vazamentos pode ser resumida em uma linha do tempo preocupante:

  1. Manhã de quinta-feira: rompimento interno na ETA Guandu, em Nova Iguaçu.
  2. Noite de quinta-feira: estouro em Xerém, Duque de Caxias. Vale destacar que a mesma adutora já havia explodido na semana anterior.
  3. Noite de sexta-feira: após a Cedae afirmar ter resolvido o rompimento do dia anterior, o complexo do Guandu volta a registrar vazamentos.
  4. Manhã de sábado: a Cedae admite publicamente que não sabe quando conseguirá concluir os reparos necessários.

Esta série de incidentes expõe fragilidades críticas na infraestrutura hídrica da região, levantando questões urgentes sobre manutenção, investimentos e a capacidade de resposta diante de emergências que afetam milhões de cidadãos.