Sabesp garante que descarte de caixões perto de estação não afetou qualidade da água em Itararé
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) emitiu um comunicado oficial nesta quinta-feira (12) afirmando categoricamente que o descarte irregular de caixões e resíduos de cemitérios em uma área próxima à Estação de Tratamento de Água (ETA) de Itararé, no interior paulista, não comprometeu em nenhum momento o abastecimento público nem os rigorosos padrões de potabilidade da água distribuída à população. O incidente, que ocorreu em janeiro deste ano, gerou alarme entre os moradores da região após imagens circularem mostrando caixões deteriorados e itens funerários abandonados a céu aberto.
Investigações e garantias da qualidade da água
Segundo a Sabesp, a companhia realizou uma série de verificações extras além dos protocolos de rotina para avaliar minuciosamente a qualidade do fornecimento. A empresa enfatizou que o descarte foi feito em uma área vizinha à estação, mas não dentro das instalações da unidade de tratamento, o que, conforme seus técnicos, não ofereceu risco de contaminação ao sistema. A água continua sendo monitorada constantemente para assegurar sua segurança para consumo humano.
Prefeitura de Itararé investiga o caso e aponta responsabilidade
O caso está sob investigação da Prefeitura de Itararé, que já havia se pronunciado em janeiro, atribuindo o descarte a uma empresa terceirizada. No entanto, a situação ganhou contornos políticos quando o vereador Filipe Martins dos Santos (PSD) protocolou um pedido para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. O parlamentar alega que não existe um contrato formal entre a administração pública e uma empresa específica para a retirada dos caixões do local, levantando dúvidas sobre a legalidade do procedimento.
A prefeitura, por sua vez, rebateu as acusações, esclarecendo que o descarte foi realizado por um funcionário de uma empresa parceira da administração municipal, responsável por disponibilizar caçambas de forma gratuita. Os resíduos retirados do cemitério foram colocados em uma caçamba que permanece lacrada e aguarda liberação para ser encaminhada ao aterro sanitário de Iperó (SP), conforme as normas ambientais.
Prática de exumação e protocolos municipais
A administração municipal explicou que a retirada de caixões é uma prática rotineira necessária para viabilizar novos sepultamentos em áreas onde já existem túmulos ou restos mortais. Em todos os casos, a exumação ocorre com autorização expressa da família ou por determinação judicial, e os ossos são encaminhados ao ossário com a devida identificação, respeitando os aspectos legais e éticos.
Além disso, a prefeitura tem adotado um protocolo de notificação para contatar famílias cujos túmulos estão em situação de abandono ou com taxas pendentes, com o objetivo de abrir novos espaços no Cemitério Municipal. A administração garante que não há risco de superlotação no local e que está comprometida com a manutenção adequada do cemitério.
Medidas futuras e responsabilização
A Secretaria de Meio Ambiente de Itararé declarou que está elaborando um protocolo detalhado de exumação para garantir que os itens cemiteriais sejam descartados de forma adequada, seguindo normas sanitárias, ambientais e contratuais específicas. A prefeitura reiterou que não compactua com o descarte irregular de itens funerários e determinou a abertura imediata de uma sindicância para apurar todas as circunstâncias do caso.
Caso a investigação em andamento confirme alguma irregularidade, a administração municipal afirmou que serão adotadas todas as providências legais e administrativas cabíveis, incluindo possíveis penalidades aos responsáveis. O descarte desse tipo de material exige cuidados especiais para evitar impactos ambientais e sanitários, e a prefeitura se comprometeu a reforçar os controles para evitar futuros incidentes.
As imagens registradas por moradores mostram caixões deteriorados deixados ao ar livre, peças de roupa possivelmente usadas no momento do sepultamento, além de restos de poda e corte de árvores, evidenciando a gravidade do descarte inadequado. A situação serve como alerta para a importância do manejo correto de resíduos, especialmente em áreas sensíveis como as proximidades de estações de tratamento de água.



