Uma nova e inusitada teoria da conspiração está agitando a comunidade de fãs de Stranger Things. Após a estreia da quinta e última temporada, alguns espectadores passaram a afirmar que o desfecho da série, considerado decepcionante por uma parcela do público, teria sido escrito com auxílio do ChatGPT, o popular modelo de inteligência artificial.
A origem da polêmica nos bastidores
A suspeita ganhou força nas redes sociais após o lançamento do documentário A Última Aventura: Nos Bastidores de Stranger Things 5, disponibilizado pela Netflix no dia 12 de janeiro de 2026. Capturas de tela do material, que mostra as sessões de roteirização, começaram a circular com usuários alegando identificar o logotipo do ChatGPT entre as abas abertas nos computadores da equipe.
Embora as imagens não ofereçam uma confirmação visual clara, a alegação se espalhou rapidamente. Fãs insatisfeitos com o final, que chegou à plataforma em 31 de dezembro, abraçaram a teoria como uma explicação para sua frustração. Um post viral exemplifica o sentimento: "Os Irmãos Duffer estavam literalmente usando ChatGPT e Reddit enquanto escreviam esta temporada, principalmente o final. Não é à toa que ficou uma porcaria".
Silêncio oficial e o salto da especulação
Até o momento, nem os criadores da série, Matt e Ross Duffer, nem a Netflix se pronunciaram sobre as acusações. A ausência de um posicionamento oficial mantém o assunto no terreno do boato.
Especialistas e observadores do mercado de entretenimento ponderam, no entanto, que mesmo que ferramentas de inteligência artificial tenham sido utilizadas em alguma etapa do processo criativo – uma prática cada vez mais comum na indústria –, isso está longe de significar que o roteiro foi inteiramente "terceirizado" para uma máquina. O uso de IAs para brainstorming ou geração de ideias iniciais é distinto da autoria final de diálogos e arcos narrativos complexos.
O fenômeno da paranoia digital nas comunidades de fãs
Este episódio ilustra como a paranoia em torno da IA se tornou um combustível potente para a expressão de descontentamento em fandoms. A desconfiança sobre a autenticidade e o esforço humano por trás de produtos culturais pode se transformar rapidamente em teorias conspiratórias amplificadas pelo ecossistema das redes sociais.
A polêmica também levanta um debate mais amplo sobre a criatividade na era digital. A simples possibilidade do uso de ferramentas tecnológicas no processo é suficiente para deslegitimar o trabalho artístico na visão de parte do público? Enquanto a discussão segue online, o caso de Stranger Things mostra que o relacionamento entre fãs, criadores e novas tecnologias está mais complexo do que nunca.