Felca relata 'circo' em depoimento sobre caso de adultização infantil
Felca descreve audiência como 'circo' em caso de influenciadores

O influenciador digital Felca usou suas redes sociais nesta quarta-feira (14) para fazer um relato contundente sobre sua participação como testemunha em um processo judicial. O caso investiga os criadores de conteúdo Hytalo Santos e Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, por suspeitas de exploração infantil. Em suas publicações, Felca descreveu a atmosfera da audiência online como um verdadeiro "circo com palhaços sem graça".

Foco na descredibilização da testemunha

Trechos vazados da sessão, que ocorreu de forma virtual, começaram a circular nas plataformas digitais. No material que viralizou, é possível ver os advogados de defesa de Hytalo Santos questionando Felca de forma insistente sobre possíveis benefícios pessoais que ele teria obtido após a publicação do vídeo "Adultização". Este foi o conteúdo que deu origem às investigações do Ministério Público.

Os questionamentos giraram em torno de ganhos financeiros com o YouTube, aumento no número de seguidores e até convites para programas de televisão. Felca foi taxativo em sua resposta, afirmando que o vídeo não foi monetizado e que o objetivo das perguntas era claramente tentar manchar sua imagem, e não buscar esclarecimentos sobre os fatos em si.

"Já no início da audiência percebi que os advogados da defesa estavam mais preocupados em me descredibilizar do que defender o acusado", escreveu o influenciador em uma publicação nos Stories. Ele reforçou que a estratégia da defesa parecia colocar sua atuação sob suspeita, desviando o foco da apuração central do caso.

O conteúdo investigado e a fala sobre Kamylinha

Durante a audiência, o próprio juiz também interrogou Felca sobre a natureza dos vídeos produzidos por Hytalo Santos. O foco recaiu especialmente nos conteúdos que envolvem a criança Kamylinha. Felca afirmou ao magistrado que a menina já aparecia nos vídeos aos 12 anos de idade.

Em sua avaliação, algumas das roupas utilizadas pela criança nas gravações ultrapassavam o que seria considerado adequado para a faixa etária. O influenciador optou por uma postura contida durante todo o depoimento, explicando que estava diante de um tribunal e não em uma rede social. "Meu objetivo era ajudar a Justiça com responsabilidade e respeito. Não tinha por que performar indignação ali", justificou.

Crítica estrutural e situação dos acusados

Felca aproveitou a oportunidade para ampliar o debate, indo além dos limites do processo específico. Ele defendeu que o caso escancara uma falha estrutural na proteção à infância no Brasil. "Uma criança que perde a infância é algo tão grave que tudo o que se diga ainda é pouco. O país precisa amadurecer urgentemente a discussão sobre adultização infantil", declarou.

Os acusados, Hytalo Santos e Israel Nata Vicente, acompanharam o depoimento de Felca por videochamada. A transmissão foi feita diretamente do Presídio do Roger, em João Pessoa, onde ambos estão presos preventivamente desde o dia 28 de agosto. Eles são investigados por suspeitas de exploração sexual e econômica de crianças em conteúdos publicados em suas redes sociais.

Ao final de seu relato, Felca ironizou o comportamento observado na defesa, afirmando que "a galhofa" ficou por conta dos advogados. O caso continua sob sigilo judicial, mas a repercussão do depoimento do influenciador acendeu ainda mais o debate público sobre os limites do conteúdo digital e a proteção de menores na internet.