Reuniões de Condomínio em São Paulo: O Risco das Cartas Marcadas
A sensação de que decisões importantes já estão definidas antes mesmo do início das assembleias condominiais é uma queixa recorrente entre moradores de São Paulo. O debate sobre transparência e possível manipulação de resultados ganhou força com alertas de especialistas, que destacam a concentração de votos e a baixa participação dos condôminos como fatores críticos.
Omissão dos Moradores e o Poder das Procurações
No programa SP1, o especialista em condomínios Márcio Rachkorsky explicou que a principal causa para que aprovações de contas e eleições de síndicos fiquem nas mãos de poucas pessoas é a própria omissão dos residentes. "Ninguém gosta de assembleia de condomínio, é um negócio chato e demorado. Mas a pessoa não vai e a decisão acaba ficando na mão de um grupinho", afirmou.
Um dos mecanismos mais utilizados para perpetuar grupos no poder ou aprovar medidas impopulares é a coleta de procurações. Quando um morador não pode comparecer, ele costuma delegar seu voto a terceiros. O problema surge quando o síndico ou um pequeno grupo "caça" esses documentos antes da assembleia.
"Tem síndico que está há 10, 15, 30 anos no cargo. As pessoas tentam se mobilizar para tirar, mas não conseguem por conta das procurações acumuladas", alertou Rachkorsky. Essa prática pode mascarar a falta de debate real e validar contas sem o questionamento adequado.
Problemas Comuns em Condomínios Paulistanos
Além das questões políticas, a convivência em prédios na capital paulista enfrenta desafios estruturais e comportamentais. Segundo levantamentos do setor, os temas que mais geram conflitos e dúvidas são:
- Barulho: Campeão de reclamações, envolvendo desde reformas em horários inadequados até ruídos de salto alto ou arraste de móveis.
- Inadimplência: Afeta diretamente o bolso de quem paga em dia, podendo gerar taxas extras para cobrir rombos no caixa.
- Uso das áreas comuns: Regras para salão de festas, academias e churrasqueiras após a pandemia.
- Obras e reformas: A necessidade de laudos técnicos para garantir que a estrutura do prédio não seja comprometida.
Estratégias para Evitar Abusos e Garantir Transparência
Para prevenir que o condomínio seja gerido sem clareza, Márcio Rachkorsky recomenda três passos fundamentais:
- Presença física ou digital: Com a lei que permite assembleias virtuais, a participação ficou mais acessível. Estar presente é a única forma de evitar que votos por procuração decidam o destino do seu dinheiro.
- Limite de procurações: O regimento interno do condomínio pode estabelecer um máximo de procurações por pessoa, como três, por exemplo. Isso evita a concentração de poder em um único morador ou no síndico.
- Auditoria independente: Se houver dúvidas sobre a gestão financeira ou a lisura de uma assembleia, os moradores podem se organizar para convocar uma reunião específica ou contratar uma auditoria.
"A decisão tomada em uma assembleia manipulada impacta o bolso por um tempão e a própria alegria de morar em um lugar onde você não participou das escolhas", concluiu o especialista. A conscientização e ação coletiva são essenciais para assegurar uma administração condominial justa e democrática em São Paulo.



