Lajes da Rocinha se transformam em ponto turístico com filas para vídeos de drone
As lajes com vista panorâmica na Rocinha, comunidade da Zona Sul do Rio de Janeiro, estão atraindo tantos turistas brasileiros e estrangeiros que já se formam filas de espera que podem durar até duas horas. O objetivo é garantir um registro em vídeo feito por drone, que tem se tornado um verdadeiro fenômeno nas redes sociais neste verão.
Fenômeno viral atrai atenção internacional
O sucesso das imagens aéreas capturadas nas lajes da maior favela do Brasil chamou a atenção até da imprensa internacional. O jornal argentino La Nación destacou as longas esperas dos visitantes para sentar em cadeiras estrategicamente posicionadas na beira dos terraços enquanto um drone registra as impressionantes paisagens aéreas.
O guia turístico e piloto de drone Beto Soares, que faz imagens na Rocinha desde 2018, viu seu negócio expandir exponencialmente desde o final do ano passado. "Em 2023, fiz um vídeo com umas meninas e começou a ter mais procura, mas no final do ano passado, na virada, já estava insuportável. Tudo lotado", revelou Beto ao descrever o crescimento repentino da demanda.
Turista neozelandesa relata experiência única
A influencer Lindsay, da Nova Zelândia, viu seu vídeo da "portinha da Rocinha" ganhar o mundo. Ela contou que demorou mais de uma hora na fila, pagou cerca de R$ 200 pelas imagens e afirmou que faria tudo novamente. "Estava viajando sozinha e nervosa de vir ao Brasil. Mas fiquei impressionada com a hospitalidade dos moradores, fascinada pela cultura e me apaixonei pela energia que o Rio transmite!", destacou a turista.
Lindsay ainda completou: "Eu me senti orgulhosa enquanto caminhava gravando esse vídeo. Orgulhosa por ter viajado sozinha para cá e tido uma experiência incrível".
Transformação do turismo na comunidade
Com o aumento do interesse, os valores para os registros em vídeo variam entre R$ 150 e R$ 250. Beto Soares faz questão de afirmar que o passeio na Rocinha deveria ser "parada obrigatória para qualquer turista". Segundo ele, muitos visitantes estão deixando de ir a pontos tradicionais como o Cristo Redentor e as praias para se hospedar e explorar a favela.
Diferente dos pontos turísticos convencionais, as lajes oferecem visões de 360 graus e contrastes únicos, incluindo:
- Pedra da Gávea
- Morro Dois Irmãos
- São Conrado
- Lagoa Rodrigo de Freitas (em alguns pontos)
O crescimento turístico também estimulou moradores a transformarem terraços em:
- Bistrôs
- Bares
- Ateliês
- Pontos de samba
Experiência completa inclui mototáxi
O trajeto até as lajes costuma incluir subida de mototáxi pelas ruelas da comunidade, elemento que se tornou parte fundamental da experiência. "O mototáxi é a sensação. Muitos turistas dizem que se não tiver o mototáxi eles nem fecham o passeio", diverte-se Beto.
Para Lindsay, andar de moto fez toda a diferença: "Subir nas motos, em alta velocidade, por estradas cheias de curvas, e ir a bares escondidos em lajes que só dá para acessar de moto, com um morador local mostrando onde esses bares ficam é muito legal. Acho que é um pouco do perigo que nos fascina".
Preços e locais mais procurados
Os passeios guiados, que duram em média 2h30 e incluem caminhadas por becos e visitas a projetos sociais, começam em R$ 200 por pessoa. Além do valor do tour, alguns locais cobram taxas específicas como acesso a lajes e aplicativo.
Entre os pontos mais buscados estão:
- Porta do Céu: conhecido pela venda de arte local e serviços de drone
- Mirante Rocinha: com vista para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar
- Laje Vista Show: localizado no topo da comunidade
Beto Soares finaliza com uma observação importante: "Não dá pra romantizar, mas posso te dizer que é um lugar seguro para o turista. Agora, nesta época, vem muito português, muito israelense. Mas recebo mensagem de gente do mundo todo querendo essa experiência. Alguns têm medo, mas quando entram na Rocinha, não querem ir embora".



