Ebony critica indústria musical por não saber dividir atenção entre mulheres
Ebony critica indústria musical por falta de espaço para mulheres

Ebony expõe problemas da indústria musical em entrevista exclusiva

A rapper Ebony, uma das principais vozes da nova geração do rap brasileiro, concedeu uma entrevista reveladora ao podcast e videocast g1 Ouviu nesta terça-feira (7), onde abordou diversos temas importantes para a cena musical atual.

Colaboração com Anitta e energia feminina

A artista de 25 anos, natural de Queimados no Rio de Janeiro, revelou detalhes sobre sua participação no novo álbum de Anitta, "Equilibrium". A faixa "Vai dar caô" nasceu durante um camping de composições na casa da cantora. "Fui convidada pro estúdio que fica na casa dela. Achei que ia chegar numa cabine e ir embora. Do nada, abriu a porta. Era a mulher. Grito. Ela é muito querida. Foi uma troca muito absurda", afirmou Ebony com entusiasmo.

A rapper explicou que a temática do álbum gira em torno de espiritualidade e brasilidade, e sua participação aborda especificamente a força da energia feminina. "Jajá sai pra vocês ouvirem", prometeu a artista sobre a colaboração que deve agradar os fãs de ambas.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Amadurecimento musical e crítica à indústria

Ebony, que recentemente lançou o álbum "KM2 Deluxe" com letras mais políticas e menos "engraçadinhas", refletiu sobre sua evolução artística. "É só minha moleira fechando", brincou sobre o amadurecimento musical. "Comecei a fazer rap aos 17 anos. Muito desse humor, mais simples da lírica, vem do fato que eu era uma menina de 17 anos. Agora sou uma mulher de 25. Não foi proposital, mas é um reflexo disso."

Durante a conversa, a artista fez duras críticas à estrutura das grandes gravadoras e selos musicais. "A indústria quer mimicar a estadunidense. As labels estão pegando uma para cada e botando para guerrear. A partir do momento que você tem uma, a empresa não vai querer ter outra. A indústria e o mundo não sabem como dividir a atenção entre as mulheres", desabafou a rapper com franqueza.

Discurso polêmico em premiação

Outro ponto destacado foi seu discurso durante o WME Awards, onde criticou ter recebido o prêmio de Revelação após sete anos de carreira. "Conforme fui me aprofundando pra me posicionar, a equipe do prêmio entendeu meu ponto. Eles entenderam, mas falaram pra não deixar de ir. Achei maneiro, porque posso evidenciar o que fosse preciso", explicou Ebony.

A artista aproveitou para destacar a verdadeira revelação segundo sua perspectiva: "Era acima do prêmio pra mim. Precisava fazer isso pela cultura e pela Nanda Tsunami. Essa garota é a verdadeira revelação."

"Espero Que Entendam" e liberdade artística

Sobre a faixa "Espero Que Entendam", que ironiza diversos nomes masculinos da cena nacional como L7NNON, Ebony esclareceu: "Fiz músicas brincando com artistas homens que eu já conheço. Eles não responderam porque são inteligentes". A artista diferenciou sua abordagem das diss tracks tradicionais, citando o recente embate entre Kendrick Lamar e Drake como exemplo mais agressivo.

Ebony também defendeu veementemente a liberdade artística: "Eu acredito na liberdade artística, estou aqui para defendê-la acima de tudo. Para mim, arte é arte. Não estou aqui pra tentar ser puritana no rap", afirmou com convicção.

Diálogos na cena musical e influências

A rapper revelou tentativas de organizar discussões mais estruturadas dentro da cena do rap. "Já tentei fazer grupos com outros rappers para discutir política, mas não tem. A gente ainda está aprendendo a se portar, a ser mais empresarial", avaliou com realismo.

Ela contou que encontrou espaços mais abertos para diálogo quando começou a frequentar a cena da MPB, mencionando encontros recentes na casa de Caetano Veloso onde conversou sobre composição com Rubel. Ebony também expressou esperança por uma possível colaboração com Adriana Calcanhoto, que a elogiou publicamente.

Trajetória pessoal e identidade

Em momentos mais pessoais, Ebony relembrou questionamentos da infância sobre sua identidade e a relação com os pais adotivos. "Mãe, por que você é branca?". A artista contou que descobriu ter sido adotada aos 10 anos e que aprendeu sobre negritude no "limbo da internet".

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Sobre o sucesso atual, ela revelou: "Mas acho que no fundo eles sempre souberam. Desde pequena, eu dizia que eu ia ser rica", mostrando que a determinação sempre fez parte de sua trajetória.

A entrevista completa com Ebony está disponível em vídeo e podcast no g1, YouTube, TikTok e nas principais plataformas de áudio, oferecendo um mergulho profundo na mente de uma das artistas mais relevantes da música brasileira contemporânea.