A cantora norte-americana Kesha publicou um texto contundente em suas redes sociais nesta terça-feira, dia 2, declarando veementemente que "não aprova o uso de sua música" em conteúdos oficiais da Casa Branca. A declaração da artista surgiu como resposta direta à publicação de um vídeo no TikTok pela conta oficial da administração Trump, que utilizou a faixa "Blow" como trilha sonora para imagens bélicas.
Conteúdo bélico gera revolta da artista
O vídeo em questão, intitulado "Letalidade", exibe cenas de um caça militar lançando um míssil e destruindo o que aparenta ser um navio inimigo. Kesha não poupou críticas à escolha das imagens violentas, classificando o uso de sua arte para "promover a violência" como algo profundamente desumano e inaceitável.
"Tentar fazer pouco caso da guerra é nojento. Não aprovo minha música sendo usada para promover violência de qualquer tipo. O amor sempre vence o ódio", afirmou a artista em suas plataformas digitais, deixando claro seu repúdio à associação de sua criação musical com conteúdo militarista.
Resposta irônica da equipe de Trump
Em resposta às críticas de Kesha, Steven Cheung, assistente de comunicação da Casa Branca, adotou um tom de ironia nas redes sociais. O representante da administração Trump sugeriu que as manifestações de artistas contra o uso de suas músicas acabam beneficiando a divulgação dos conteúdos oficiais.
"Isso só nos dá mais atenção e visualizações, porque as pessoas querem ver do que elas estão reclamando", publicou Cheung no X, anteriormente conhecido como Twitter. A declaração foi interpretada como uma tentativa de minimizar a seriedade das objeções apresentadas pela cantora e outros artistas.
Histórico de resistência artística
Kesha não está sozinha em sua posição contra o uso político de suas criações musicais. A cantora integra uma lista crescente de artistas que já se manifestaram contra a utilização de suas obras pela equipe de Donald Trump. Entre os nomes que já expressaram publicamente sua discordância estão:
- Sabrina Carpenter
- Olivia Rodrigo
- Celine Dion
- Rolling Stones
- Radiohead
A resposta de Kesha ao diretor de comunicação da Casa Branca foi breve e direta: "Parem de usar minha música, pervertidos". A assertividade da artista reflete um padrão de resistência que tem se fortalecido no cenário político-cultural norte-americano.
Precedentes judiciais favoráveis aos artistas
Embora a equipe de Trump tente tratar o caso como uma vitória em termos de engajamento digital, o histórico jurídico recente não é favorável ao presidente e sua campanha. Diversos artistas e herdeiros de músicos já obtiveram sucesso em ações legais contra o uso não autorizado de suas obras.
Na última semana, o espólio do lendário músico Isaac Hayes chegou a um acordo com a campanha de Trump após processá-la pelo uso indevido da canção "Hold On, I'm Coming". A família do artista afirmou que a vitória "reafirma a importância de proteger os direitos de propriedade intelectual e o uso responsável de obras criativas".
Outros casos notáveis incluem ações movidas por Beyoncé, pelo espólio de Sinead O'Connor e pelos herdeiros de Leonard Cohen, todos buscando impedir a utilização de suas músicas em contextos políticos com os quais não concordam. Esses precedentes estabelecem um cenário legal desafiador para a equipe de Trump, que frequentemente enfrenta resistência do meio artístico.
O conflito entre Kesha e a Casa Branca ilustra uma tensão crescente entre criadores artísticos e figuras políticas que buscam se apropriar de obras culturais para fins de propaganda. Enquanto a administração Trump tenta capitalizar o engajamento gerado pela polêmica, artistas continuam a defender seu direito de controlar o uso e a associação de suas criações com mensagens específicas.



