Lei cria profissão multimídia e gera polêmica entre sindicatos
Nova profissão multimídia divide opiniões no mercado

O cenário profissional da comunicação no Brasil ganhou um novo ator oficial na última semana, mas a novidade acendeu um intenso debate. Foi sancionada a Lei nº 15.325/2026, que reconhece formalmente a profissão de multimídia, permitindo que um único profissional acumule funções de produção, edição e distribuição de conteúdos audiovisuais e digitais.

Críticas ferrenhas de sindicatos

A medida, publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, foi recebida com duras críticas por entidades representativas. A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), seus 31 sindicatos filiados e o Movimento Nacional dos Radialistas (MNR) emitiram uma nota conjunta repudiando a sanção.

Para essas organizações, a nova norma ataca diretamente as profissões de jornalista e radialista, criando insegurança jurídica e beneficiando principalmente os empresários do setor. Eles argumentam que as funções atribuídas ao profissional multimídia já são, por lei, exclusivas das duas categorias agora ameaçadas.

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"Faltou diálogo", afirmam as entidades, destacando que não foram ouvidas durante o processo. A crítica também aponta que o texto legal não estabelece carga horária, registro profissional ou formação específica para a nova ocupação.

O comunicado é contundente: "As entidades representativas vão tomar as medidas legais necessárias para preservar as profissões frente a mais essa aberração legislativa". A Fenaj expressou surpresa pelo fato de o governo Lula, de origem no movimento trabalhista, ter sancionado a proposta sem vetos.

Defesa das emissoras de rádio e TV

Em posição diametralmente oposta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) avaliou a lei de forma positiva. Para a entidade, trata-se de um avanço relevante que confere clareza e reconhecimento a atividades já exercidas em um mercado marcado pela convergência de mídias.

"A nova lei está plenamente alinhada à convergência tecnológica do setor de comunicação", disse o presidente-executivo da Abert, Cristiano Lobato Flôres. Ele defende que o mercado exige atuação transversal dos profissionais, adaptação constante às inovações e atualização permanente.

O que diz a Lei nº 15.325/2026

A legislação define o profissional multimídia como um trabalhador multifuncional, de nível superior ou técnico, apto a atuar em diversas etapas do conteúdo para mídias eletrônicas e digitais. Entre as atribuições listadas estão:

  • Criação de portais, sites e redes sociais.
  • Desenvolvimento de animações, jogos eletrônicos e aplicativos.
  • Produção, edição, direção e gestão de conteúdos audiovisuais e digitais.

A lei estabelece que esse profissional pode atuar em empresas e instituições públicas ou privadas, incluindo emissoras, produtoras, provedores de internet e agências de publicidade. A norma também permite que profissionais de outras categorias, com anuência do empregador, celebrem aditivo contratual para exercer atividades de multimídia.

O projeto de lei é de autoria da deputada Simone Marquetto (MDB-SP) e passou pela Câmara dos Deputados, pelo Senado Federal antes de chegar à sanção presidencial. O debate, no entanto, está longe de terminar, com a promessa de ações legais por parte dos sindicatos.

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