São Paulo celebra 472 anos com um mundo de sabores no prato
Entre panelas que borbulham, ervas frescas cortadas na hora, massas abertas à mão e caldos que cozinham por horas, a cidade de São Paulo, a aniversariante do dia, reúne cheiros e sabores que atravessam oceanos. Em restaurantes pequenos, discretos, dentro de casinhas ou já tradicionais, chefs vindos de diferentes partes do mundo transformam ingredientes em memória, identidade e afeto. Eles fazem da comida uma forma poderosa de contar a própria história da cidade, em uma narrativa rica e saborosa.
Uma viagem gastronômica pelo globo no coração paulistano
No ano em que São Paulo completa 472 anos, uma equipe de reportagem embarcou em uma jornada culinária para provar, literalmente, que a região consegue colocar no mesmo prato temperos de todo o globo. A missão foi entender como a gastronomia ajuda a explicar a alma paulistana, passando por cozinhas da Grécia à Bulgária, do Vietnã à Tailândia, além das culinárias judaica, africana, indiana, coreana, taiwanesa e mexicana. Em comum, todos carregam a mesma escolha: fincar raízes em uma cidade que se construiu a partir de encontros, imigração e diversidade.
Os chefs compartilharam trajetórias de vida, o caminho até São Paulo e o amor pela cidade que escolheram viver. Em cada receita, há técnica, tradição e adaptação, criando uma tapeçaria de sabores que reflete a metrópole multicultural.
Detalhes dos restaurantes e suas histórias
Casa Búlgara: Há 50 anos, no Bom Retiro, este espaço preserva sabores búlgaros com burékas e queijo artesanal. Fundada por Lina Levi e mantida pela filha Shoshana Baruch, a casa é um exemplo de continuidade, atraindo públicos diversos mesmo com as transformações do bairro.
Portal da Coreia: Na Liberdade, o restaurante comandado por Dona Regina ajuda a contar como a culinária coreana ganhou espaço em São Paulo, impulsionada por doramas e K-pop. Pratos como o bibimbap oferecem uma experiência visual e gustativa única.
Biyou'Z Gastronomia Africana: Criado pela camaronesa Melanito Biyouha, este restaurante preenche uma lacuna na cidade, apresentando pratos de países como Camarões e Costa do Marfim. O attiéké, um cuscuz de mandioca, revela a sofisticação da culinária africana.
Shoshana Delishop: No Bom Retiro, este espaço de culinária judaica diaspórica reúne influências da Europa Oriental, Norte da África e Oriente Médio. Pratos como o gefilte fish simbolizam abundância e pertencimento, conectando comida e afeto.
Prato Grego: Fundado na pandemia, no Bom Retiro, este restaurante virou símbolo de resistência e identidade cultural. Comandado por Stélios Moussiades e o chef Costas Francesos, oferece pratos como polvo com batatas, celebrando a convivência de culturas.
Atithi: Restaurante indiano comandado por Ajay Kaintura, que vê São Paulo como vitrine para apresentar sabores e filosofias ayurvédicas. O nome, que significa "visita", reflete a hospitalidade e o desejo de criar uma "pequena Índia" na cidade.
La Taqueria Popular: Chef mexicano Quique Calderón serve tacos autênticos, sem adaptações, aproveitando o crescente interesse por sabores reais. Sua trajetória, de um trailer a um restaurante fixo, espelha a transformação gastronômica paulistana.
Ping Yang: Restaurante tailandês do chef Maurício Santi, com décadas de estudo e imersão cultural. Pratos como o miang kham representam diferentes regiões da Tailândia, mostrando como São Paulo acolhe cozinhas do mundo.
Aiô: Restaurante taiwanês que nasceu de um food truck e hoje apresenta pratos como o Lu rou fan. Chefs Victor Valadão e Caio Yokota destacam a curiosidade paulistana em experimentar novas culturas através da comida.
Bánh Mì: Espaço vietnamita na Bela Vista, comandado por Adrián Polimeni e Yann Dupierre, que oferece pratos como o bánh mì e phở bò. A escolha do bairro reflete a diversidade cultural da região, um retrato fiel de São Paulo.
Conclusão: a gastronomia como espelho da cidade
São Paulo, em seus 472 anos, se revela não apenas através de seus arranha-céus e avenidas, mas também pelos sabores que habitam suas cozinhas. Cada restaurante visitado conta uma história de imigração, adaptação e amor, demonstrando como a comida pode ser uma linguagem universal de conexão. A diversidade gastronômica é, assim, um testemunho vivo da alma paulistana, sempre aberta ao novo e enriquecida pelo encontro de culturas.