Ovos de Páscoa amazônicos em cerâmica marajoara conquistam Brasil com tradição e inovação
Uma fusão extraordinária entre os intensos sabores amazônicos e a milenar tradição da cerâmica marajoara está cativando o público e críticos nacionais nesta temporada de Páscoa. Originária do Pará, essa iniciativa combina ingredientes exclusivos da biodiversidade amazônica com o trabalho artesanal de comunidades tradicionais, elevando o produto a um patamar que transcende o simples chocolate.
Mestre ceramista dá vida às embalagens que contam histórias
No coração dessa valorização cultural está o mestre ceramista Carlos Pantoja, residente de Icoaraci, distrito de Belém, com impressionantes 45 anos de experiência no ofício. Integrante de uma comunidade tradicional composta por aproximadamente 200 ceramistas da região, Pantoja é o artífice responsável por moldar as embalagens que se tornaram o diferencial da Mágio — Chocolates da Amazônia.
A ideia visionária dos ovos de Páscoa em cerâmica surgiu há quatro anos, fruto de um convite direto do engenheiro, pesquisador e chocolatier César De Mendes, fundador da marca. O processo criativo é profundamente colaborativo, mas a essência das peças emana diretamente da ancestralidade indígena. "Meu trabalho é inspirado na arte indígena marajoara antiga, aliada à inovação da cerâmica icoaraciense", explicou o mestre Pantoja com orgulho.
Um ciclo produtivo que honra o tempo da natureza
Enquanto o chocolate é meticulosamente preparado, as peças de cerâmica seguem um cronograma rigoroso que respeita os ritmos naturais e o trabalho manual humano. Diferente da produção industrial acelerada, as etapas desses ovos de Páscoa exigem um planejamento minucioso que se estende ao longo de todo o ano.
"A produção inicia com a extração do barro pelas comunidades ribeirinhas. Em seguida, vem o beneficiamento, a modelagem, o grafismo, a secagem, a queima, a pintura e finalmente o empacotamento", detalhou Pantoja. Esse ciclo integral garante que cada peça carregue não apenas um design único, mas também a rica história do território amazônico.
O artesanato cerâmico de Icoaraci, reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Município de Belém desde 2022, utiliza traçados 'icoaracienses' — incisões profundas feitas no barro ainda úmido, inspiradas diretamente nos diversos estilos de grafismos indígenas da cerâmica marajoara.
Transparência e rastreabilidade do cacau ao chocolate
Em edição limitada, a marca oferece três versões sofisticadas de ovos de Páscoa acompanhados da cerâmica artesanal:
- Chocolate ao leite com praliné de avelã e caramelo de maracujá
- Chocolate ao leite com recheio de praliné de avelã
- Chocolate ao leite com recheio de cupuaçu
Todo o cacau utilizado tem origem em comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares que cultivam a fruta exclusivamente em sistemas agroflorestais ou áreas de regeneração, onde o cacau cresce harmoniosamente com outras riquezas da floresta, como açaí, taperebá, castanha-do-pará e pimenta-do-reino.
Para assegurar o padrão premium do chocolate, equipes permanentes no Pará fornecem assistência técnica contínua aos fornecedores, com foco especial no manejo das lavouras e nas etapas cruciais de fermentação e secagem. Todo o processo produtivo é realizado no Pará, com a finalização ocorrendo na fábrica em São Paulo.
A transparência completa do percurso, do Pará até São Paulo, é garantida por um sistema de rastreabilidade de ponta a ponta. Através de um aplicativo proprietário, os produtores registram fotos de cada etapa da produção, mesmo sem acesso imediato à internet. Esses registros são validados via blockchain, assegurando informações imutáveis e garantindo ao consumidor a origem exata e a total transparência do chocolate que adquire.
Sabores amazônicos que encantam paladares exigentes
Se externamente a cerâmica encanta pelos seus grafismos ancestrais, internamente os recheios reforçam vigorosamente a identidade regional amazônica. Ingredientes nativos como o cupuaçu emergem como protagonistas absolutos.
Essa fruta azedinha típica da Amazônia, em contraste perfeito com o dulçor do chocolate ao leite, conquistou um equilíbrio sensorial aprovado entusiasticamente pelo público, sendo eleito entre os "melhores do ano" da temporada de Páscoa nas redes sociais e em renomadas revistas de gastronomia.
"Desenvolver nosso principal ovo com cupuaçu é parte fundamental dessa valorização dos ingredientes nativos. A excelente recepção do cupuaçu está diretamente relacionada com essa celebração da brasilidade e dos ingredientes locais", afirmou Renan Tanzillo, diretor executivo da marca.
Ver sua arte ancestral ganhar projeção nacional através da Páscoa representa para o mestre Pantoja uma forma vital de manter viva a memória cultural do Pará. "A cerâmica marajoara carrega uma história muito antiga, e poder transmitir isso através de um produto como este é uma maneira poderosa de preservar essa cultura viva", completou o ceramista emocionado.



